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domingo, 8 de abril de 2012

Cantora errada

Durante uma reunião numa chácara, entro no banheiro. Lá, apenas uma garotinha de cinco ou seis anos. Talvez sete. Que me fita atenciosamente e exclama, certeira:
- Eu tenho uma música sua!
Assusto-me, já que não a conheço. Não usava crachá algum, como saberia ela que meu nome é de uma cantora famosa?
- Aé? E que música minha você tem?
- Da Ivete Sangalo. Você é muito parecida com ela!

terça-feira, 20 de março de 2012

Marquices

- Marco, quer ir na casa do meu namorado?
- Eu conheço o seu namorado, dindinha!
- Conhece sim. Sabia que ele tem um video game?
- Nossa, eu gosto MUITO do seu namorado, sabia, dindinha?

domingo, 8 de janeiro de 2012

(Des)Serviço bancário

Foi ao banco. Ao chegar, procurou a atendente.
- Oi, pedi um novo cartão, queria saber se chegou.
- Só um minuto. Pode me emprestar seus documentos?
- Claro. Aqui está.
A atendente, com os documentos na mão, abriu a porta onde ficavam guardados os cartões. Procurou no P, até que encontrou o cartão da cliente: Paula Fernandes.
- Paula, neste envelope está o cartão e neste outro, a senha. Você pode desbloquear o cartão no caixa automático e, qualquer dúvida, é só me chamar.
- Tudo bem, obrigada.
E se dirigiu ao caixa. Inseriu o cartão, digitou a senha do envelope e, para que fosse desbloqueado, o caixa automático pediu que confirmasse o ano de nascimento do titular. "1985", digitou. "Não confere", avisou o caixa. "Será que digitei errado?", pensou. E repetiu os quatro dígitos: "1985". "Não confere", setenciou, mais uma vez, o caixa. Cancelou a operação e começou novamente. Desta vez, depois da senha, o caixa pediu o dia do nascimento do titular da conta. "25", digitou. "Não confere". "Ué, o que será que está acontecendo", pensou. E decidiu chamar a atendente.
- Moça, não está dando certo.
- Você é a titular da conta?
- Sim.
- Deixa eu ver no sistema, então. Posso pegar seus documentos novamente?
- Claro.
- Seu nome é Paula Fernandes mesmo?
- Não. Paula de Assis Fernandes.
- E quando pediu o ano você digitou 1985?
- Sim - respondeu, enquanto se perguntava se a atendente realmente acreditava que ela não se lembraria da data em que nasceu.
- E o dia, 25?
- Isso.
- Ué, não sei o que está dando errado... Deixa eu ver...
E, depois de mexer por quase cinco minutos no sistema do banco, olhou-me, com cara de espanto.
- Paula! Esse cartão não é seu! É de outra Paula Fernandes!
- Nossa! Outra? Aqui em Campo Mourão?
- Sim. Ai, me devolve aqui os envelopes. Nossa, será que ela não vai ficar brava? Ai, meu Deus...
- Ixi... Mas quantos anos ela tem?
- É de 1986.
- Ahm... - respondeu, enquanto pensou que a atendente tinha lhe dado a primeira das informações, caso estivesse mal intencionada. Pensou, também, que talvez tivessem entregado o seu cartão à Paula errada. E se ela ficasse devendo em seu nome? E se alguma coisa desse errado? E se... - Moça, e se entregaram o meu cartão a ela?
- Verdade! Vou entrar em contato com ela e ligo depois para você, pode ser?
- Pode. Ah, mas não vai ter perigo, né. Ela não vai conseguir desbloquear, já que não nasceu nem em 1985 nem no dia 25...
- Não, ela nasceu no dia 03.

...

Ainda bem que a Paula em questão não era mal intencionada...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sobre o descanso merecido

Queria o contrário. Férias o ano inteiro e quinze dias de trabalho, para compensar aquele descanso todo...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Bolero ou valsinha?


Passo na academia, que é caminho do local da entrevista até o jornal, e paro para dar um 'alô' para o pessoal. Além do meu irmão, na esteira, e do personal atendendo, outras duas moças estão presentes.
- Blusinha nova, heim, Paula? - diz, meio em tom de brincadeira, o personal. Ele sabe que eu a comprei no dia anterior, quando cheguei empolgada contando para todos da nova aquisição.
- Pois é, você viu?
- Não é blusinha. Tem outro nome, isso. Qual é mesmo, Paula? - retruca meu irmão.
Uma das moças abaixa a cabeça e a balança de um lado para o outro, em tom de displicência.
- Bolero - respondo.
- Ai, homem não entende mesmo disso - comenta a moça que havia balançado a cabeça.
- É, para mim, até hoje de manhã era 'casaquinho cortado' - brinca meu irmão.
- E amanhã você vai perguntar para ele o nome, ele diz 'valsa'. Homem é tudo lerdo. Aliás, 'valsinha', porque é pequeno, né? - encerra a segunda moça.

*Meu bolero é lindo, fala sério!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Gay. Por minha causa.

Cena um (ao telefone)
- Oi!
- Oi, tudo bom?
- Tudo. Você me ligou?
- É, liguei, queria saber se você não quer fazer alguma coisa hoje...
- Heim, esse barulho ao fundo... é água? - pausa para perceber que a lua brilha lá fora e não há o menor sinal de chuva por perto - Você está tomando banho?
E cai na gargalhada.
- Estou, por que?
- Como assim por que? Você está tomando banho e atende ao celular no banho? Você está falando comigo enquanto toma banho? Meu, me liga hora que você sair, pode ser?
- Beleza.
E desligam. E caem, os dois, dessa vez, na gargalhada. Cada um em seu canto.

Cena dois (conversa no MSN)
Fulano diz:
Passei por gay hoje por sua causa.
Paula diz:
Ahm?
Fulano diz:
Estava voltando pra casa e lembrei daquele dia que atendi sua ligação e eu estava tomando banho. Aí dei risada sozinho. Nessa hora um cara passa e acha que dei risada para ele, e sorri de volta...
.
É... abalando corações!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quando o silêncio é a melhor opção²

Dia de resultado de vestibular. Os cursinhos locais vão com os alunos concorrentes para fazer a festa dos aprovados em frente à universidade. Morávamos a cerca de três quadras da universidade, mas não fomos acompanhar a 'festa'. Estávamos Graci e eu em casa quando entra o Buzzi, namorado da Fabi, que também morava conosco. Ele vinha da universidade.
- Meninas, eu estava lá na frente da universidade rindo da cara dos trouxas que não passaram no vestibular!
- Buzzi! A irmã da Graci não passou!
- Ah, Graci, nem se preocupe. Aconteceu. Eu tava rindo é dos trouxas que não passaram em Arte-Educação...
- Buzzi! Foi pra isso que a irmã dela tentou!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Quando o silêncio é a melhor opção¹

Numa roda de amigos, conversa sobre nomes que cada um considerava feio.
- Ah, eu não gosto de Francisco.
- E eu de João.
- Ah, não, gente, mas não tem pior que José. José é muito feio! - exclama uma das amigas. Duas outras, meio em desespero, replicam:
- Déia! O nome do Jota é José!
Parênteses. Jota é um dos colegas na roda, um piadista que se dá bem com todo mundo.
- Ai, sério Jota? Desculpa... Mas pensa, podia ser pior, podia ser José Antônio.
- Déia, fica quieta. O nome dele é José Antônio!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ops...

20 de julho de 2007: morre ACM, senador pelo DEM-BA, aos 79 anos, em decorrência de falência de múltiplos órgãos secundária à insuficiência cardíaca.

Agosto ou setembro de 2003. Corbélia, Paraná.
Cinco amigas sentadas no banco de uma pracinha que tem, em frente, uma garagem de ônibus. Já é tarde da noite e um ônibus entra na garagem. Uma delas diz, ao ler a placa:
- ACM... esse nome não me é estranho...
- Antônio Carlos Magalhães - exclama outra.
- Ah, é mesmo. E ainda nem encontraram o corpo dele, né...
- Talvez porque ele esteja vivo?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Óbvio, não?!

Ela entra na sala enquanto leio o e-mail que diz que meu avô está na UTI. Percebe que estou com os olhos cheios d'água. Assutada, pergunta:
- O que foi, Paula?
- Meu avô 'tá na UTI.
- Mas... qual?
- O que está vivo, né!

Obs. Ela garantiu, depois, que tinha entendido minha avó... vai saber! rsrs

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mestre de obras

Andando para o trabalho na companhia de uma amiga. De repente ela diz:
- Vamos atravessar a rua? Tem uma construção aqui, vai ficar difícil de passar.
- Mas do outro lado também tem, olha!
- Verdade. Então vamos ficar do lado de cá mesmo que os pedreiros são bem mais bonitos!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O seu copo está meio cheio? O meu precisa ser vazio...

- Então, daí eu fiquei faceira, a nutricionista disse que eu posso, sim, comer pipoca...
- Aé? À vontade?
- Não, né... posso comer dois copos de requeijão no máximo duas vezes por semana...
- Mas tem que ser requeijão light?
- ...

domingo, 19 de setembro de 2010

Sandra Rosa Madalena

- Ô Ana Paula, me dá seu celular?
- É só Paula.
- Ah, achei que era Ana Paula...
- É Paula Fernanda - disse, rindo, um terceiro.
- Não, isso eu sabia. Paula Fernanda. Mas achei que era Ana Paula também...



Ps. Eu disse que meu nome era difícil...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Penso, logo...

- Você estudou com uma cadeirante?! Legal... Eu tinha um calouro que era cego.
- Sério?
- Sim. Até hoje eu não sei como ele fez foto, mas...
- Verdade...
- Aliás, outro dia eu li uma matéria de um diretor de cinema cego. O assistente dele descrevia toda cena pra ele, onde estava cada coisa no cenário. Cena por cena. Legal, né?!
- É mesmo.
- E eu também vi alguma coisa sobre um fotógrafo cego... Interessante, né?! Como será que conseguem?
- É... Ou, mas pra eles não deve ser difícil colocar o filme na espiral pra revelar, né?!
.
Obs. Para revelar um filme é preciso enrolar o negativo numa espiral e colocá-lo no tanque de revelação com os químicos. Isso tudo no escuro. Se quiser saber mais, clique aqui (Item 3: Procedimentos para processamento do filme). Só para constar, as pessoas envolvidas no diálogo são completamente a favor da inclusão.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

E você,quer ser um porquinho-do-mato ou um porquinho-da-granja?

Eu estava há algumas semanas com o intestino maluco. Ora preso, ora solto demais. Como não gosto de ir a médicos, fiquei adianto o inevitável. Mas chegou a tal ponto que ele não prendia mais. Nada. Eu não podia levantar que tinha que correr para o banheiro.
Além disso, eu viajaria na semana seguinte para um país desconhecido, onde permaneceria por duas semanas. Eu precisava tratar daquilo logo!
Chamei uma das meninas que morava comigo para me acompanhar à clínica. Não marquei consulta, era uma emergência.
- Tem algum médico de plantão?
- Tem sim, o dr. Napoleon, você já é paciente?
- Não, primeira vez.
E última.
Dr. Napoleon é um chileno que vive há tempos aqui. Mesmo assim, não fala o português de maneira muito... 'entendível'. É médico com especialização em gastroenterologia. Mesmo sem querer, fui parar na consulta certa. Ou não.
Ao entrar no consultório, um senhor simpático me estendeu a mão.
- Bon dia, meninas. Quem vai se consultar?
- Eu, doutor - respondi.
- Entón, me diga, que você tem?
- Ai, doutor, eu tenho andado com o intestino maluco. Ou ele trava ou ele fica solto demais. Mas hoje tá impossível, não consigo ficar em pé que tenho que correr pro banheiro...
- Tudo bem, vou te examinar.
Checou pressão, batimentos cardíacos, garganta.
- Você quer ser um porquinho-do-mato ou um porquinho-da-granja?
- Oi?
- Um porquinho-do-mato ou porquinho-da-granja?
- Desculpe, não entendi.
- Quer ser um jugador de futebol pobre ou um jugador de futebol rico?
- Ahm?!
- Quer ser uma princesa ou um rei?
- Uma princesa?...
- Si! Porque a princesa es magriña e o rei, no, o rei es gordóóón. E o jugador de futebol pobre. Ele es esbelto, corre bastante, tem saúde. Já o jugador de futebol rico, não. É obeso. Ninguém na Europa quer ele, que volta no Brasil só pra jogar no Corinthians mesmo.
- ...
- E o porquinho-do-mato? Ah, ele sabe o que comer. Vai lá e escolhe todas as plantinhas saudáveis, pega só que faz bem. O porquinho-da-granja não. Pra ele dão ração, vai pra engorda e pro abate.
- ...
- Vou passar una dêta pra você.
- Uma o que?
- Una dêta.
- Uma dieta, Paula - disse a menina que morava comigo.
- Siiii! Nada de Coca Cola. Coca Cola no!
- ...
E começou a escrever a minha dieta.
- Mas doutor...
- Un minuto.
- E a diarreia dela, doutor? - perguntou a menina que me acompanhava.
- Ah, claro, claro. Si. Entón, por agora, pode tomar Coca Cola. Mas só porque Coca Cola ajuda com a diarreia. Vou passar uns exames para você. Daí você me traz os resultados. E depois que passar esse probleminha a gente vai seguir com a dêta. E você vai fazer junto com ela, porque está precisando - disse, enfático, à menina que estava comigo.

...

Quando saíram os resultados, voltei ao consultório.
- Vamos ver. No tem diabetes... nem pressão alta... Colesterol ok... É, pelo que parece no tem nenhum problema grave de saúde. Vamos começar a dêta?
- Mas doutor, meu problema ainda não resolveu...
- Entón continue o tratamento. Quando terminar, volte aqui que vamos começar a dêta.

...

Como meu problema não foi solucionado, fui procurar outro médico. Deixei de lado meu convênio e fui ao Posto 24 Horas, ser atendida pelo SUS. Ao entrar no consultório, expliquei ao médico o que se passava. Contei que tinha procurado outro profissional e que ele tinha me passado alguns exames.
- E você trouxe esses exames?
- Trouxe, sim.
Ele pegou o envelope, abriu. Olhou atentamente as páginas quando se deu conta.
- Mas aqui não tem o resultado do exame de fezes.
- Eu não fiz exame de fezes.
- Como não? Quem foi o médico... aaaah... não leve em consideração, ele está velhinho, já. E o que ele te disse?
- Perguntou se eu queria ser um porquinho-do-mato ou um porquinho-da-granja?
- Como?
- Isso mesmo que o senhor ouviu. Se eu queria ser um porquinho-do-mato ou um porquinho-da-granja.
O médico riu. Incontrolavelmente. Quando, finalmente, se conteve, me fitou bem dentro dos olhos.
- E você, respondeu o que?

terça-feira, 20 de julho de 2010

Eleições 2010

- Heim, Sid, você bem que podia me ensinar um pouco sobre política, né?! Eu não entendo nada...
- Paula, olha só, é simples: o PT é do bem. O PSDB e o DEM são do mal. Eles até fingem que são do bem, às vezes, mas a gente tem que estar atento, eles são do mal. E lembre-se: a gente tem que ajudar o bem...
(Quer mais bem explicado?!)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Erro de percurso

Aconteceu há alguns anos. Depois de anos esperando, fez uma das tão desejadas cirurgias. Suas amigas sempre souberam: queria reduzir os seios, excessivamente volumosos, e acabar definitivamente com a miopia que quase a cegava. E com o astigmatismo, também. Queria ver-se livre das lentes - as de contato, mais frequentes, e as dos óculos.
Depois de passar as férias na casa da mãe, ela voltava às aulas. E a cirurgia, almejada por longos anos, havia sido realizada. Uma tarde, na casa da amiga, lembrou-se de que não havia comentado com ela sobre o fato.
- Débora, te contei que finalmente fiz minha cirurgia?
- Não, sério? - disse, enquanto caminhou em direção à amiga. - Nossa, mas nem parece, não fez muita diferença - certificou, ao apalpar os seios da colega, que parecia assustada.
- É porque eu fiz a do olho.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Última romântica

- Paula, vamos fazer alguma coisa mais tarde? Preciso te mostrar uma coisa...
- Vamos sim. O que é?
- Ah, não vou dizer. Quero que você veja.
- Não acredito! Você vai me deixar até a noite esperando? Morrendo de curiosidade?
- ...
- Ah, por favor, me fala! O que é? Me diz!
- Tá. É prata e meio redondinho...
- Ana! Você tá namorando?!
- (Risos) Não, sua romântica. Eu sou mais materialista. Comprei meu carro.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Instinto... animal?!

- Paula, isso que você usa não é creme, né? É o que?
- Body splash de baunilha.
- Caaaaaaaara, isso é muito bom! Dá vontade de comer!

O.o

terça-feira, 15 de junho de 2010

Reencontro

- Quantos anos a gente tinha quando se conheceu?
- Eu tinha 18, se não me engano, e você tinha 20.
- Hum... e com quantos anos você está, agora?
- 22.
- Nossa! Eu continuo mais velha?!