segunda-feira, 7 de maio de 2012
Encontro musical
Ele pega o cartão e lê, com atenção.
- O seu nome é Paula Fernandes?
- Isso - respondo, já à espera de uma piadinha.
- Não acredito! É brincadeira!
Rio, porque não tem muito mais que eu possa fazer. Ele, então, completa, para a minha perplexidade:
- O meu é Fabio Jr!
domingo, 8 de abril de 2012
Cantora errada
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Observador
- Paulinha, eu vi você no site da Viva Mais. Bacana, heim, menina, que diferença!!!
- Pois é, você viu?
- Sim. E vi, também, que você teve o cuidado de colocar a mesma roupa na foto do antes e do depois, pra gente ver a diferença.
- Então... quase...
- Não é a mesma roupa?
- Não, não. Na primeira foto eu tava com uma calça comprida, na segunda, não...
- Ah... mas o top eu vi que você colocou o mesmo!
- É... quase... o primeiro é bem fechado, o segundo tem decote V...
- Mas era tudo preto!
- Ah, isso sim!
- Viu?! Homem repara em tudo mesmo!!!
(Ah, repara...)
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Xará
- Oi?
- O seu nome. É Paula Fernandes mesmo?
- Ah, é sim - digo, enquanto meu irmão e uma amiga caem na gargalhada.
- Nossa, que legal, ter um nome assim, famoso!
- É... mas o nome é meu há mais tempo - completo.
Comecei a pensar. O que é que passa pela cabeça da moça? Que roubei o cartão da Paula Fernandes? Que sou tão fã que até mudei o meu nome para ser igual ao da ídola (ainda bem que eu não pensei nisso quando eu queria ser a Sandy). Que eu empresto o meu nome para ela e recebo cachês no final do mês? Paulinha, querida, chegaram algumas contas desse mês, quer que envie por e-mail ou te passo o valor e você deposita, bem?
terça-feira, 21 de junho de 2011
Embriaguez
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Dos tempos que não voltam mais
A gente era feliz. E sabia. Quanta saudade!
(Amo demais!)
Obs. A gente era estranho, além de feliz, claro! rsrsrs
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Falsidade ideológica
- E agora, o que eu faço - pensei.
Olho para os lados. À minha direita se aproxima um atendente da empresa aérea.
- Falta alguma coisa, moça?
- Falta. Meu atabaque.
- Atabaque? - me pergunta, com uma expressão que não consegui definir se era susto ou dúvida.
- É, uma espécie de tambor...
- Eu sei o que é um atabaque! Mas você trouxe um?
- Trouxe.
- Tudo bem, vou verificar o que aconteceu. Você pode sentar ali e aguardar que logo a chamo.
Sentei. E esperei. E esperei. E esperei. Já estava bem cansada de esperar quando aquele som de alerta característico de aeroportos, para que as pessoas prestem atenção na mensagem, toca.
- Senhora Paula Fernandes, por favor dirija-se ao balcão de atendimento da empresa tal.
Levantei, peguei a mala e fui. Quando já estava perto o suficiente do balcão para ouvir o que os atendentes conversavam, avistei o rapaz que havia me atendido anteriormente.
- Viu, não é ela. Olha ali - disse ele.
- Onde? - perguntaram outras três atendentes que o acompanhavam.
- Ali, vindo em nossa direção - e apontava para mim.
- Onde? - procurando além de mim, como se eu não estivesse ali.
- Ali - e caminhou até mim, com o atabaque nas mãos - viram só, eu disse que não era ela.
- Aaaaaaaaaaaaaah... - exclararam, em uníssono de decepção, enquanto guardavam algo que pareciam bloquinhos de papel e canetas.
- Moça, tá aqui seu atabaque. Elas acharam que você era a cantora, sabe? Me dá um autógrafo? - e riu.
Ri também, de entender o porquê de tanta decepção. Imagine, uma Paula Fernandes que perde um atabaque... Vai que decidiu mudar o estilo?!
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Bolero ou valsinha?
Passo na academia, que é caminho do local da entrevista até o jornal, e paro para dar um 'alô' para o pessoal. Além do meu irmão, na esteira, e do personal atendendo, outras duas moças estão presentes.
- Blusinha nova, heim, Paula? - diz, meio em tom de brincadeira, o personal. Ele sabe que eu a comprei no dia anterior, quando cheguei empolgada contando para todos da nova aquisição.
- Pois é, você viu?
- Não é blusinha. Tem outro nome, isso. Qual é mesmo, Paula? - retruca meu irmão.
Uma das moças abaixa a cabeça e a balança de um lado para o outro, em tom de displicência.
- Bolero - respondo.
- Ai, homem não entende mesmo disso - comenta a moça que havia balançado a cabeça.
- É, para mim, até hoje de manhã era 'casaquinho cortado' - brinca meu irmão.
- E amanhã você vai perguntar para ele o nome, ele diz 'valsa'. Homem é tudo lerdo. Aliás, 'valsinha', porque é pequeno, né? - encerra a segunda moça.
*Meu bolero é lindo, fala sério!
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Gay. Por minha causa.
- Oi!
- Oi, tudo bom?
- Tudo. Você me ligou?
- É, liguei, queria saber se você não quer fazer alguma coisa hoje...
- Heim, esse barulho ao fundo... é água? - pausa para perceber que a lua brilha lá fora e não há o menor sinal de chuva por perto - Você está tomando banho?
E cai na gargalhada.
- Estou, por que?
- Como assim por que? Você está tomando banho e atende ao celular no banho? Você está falando comigo enquanto toma banho? Meu, me liga hora que você sair, pode ser?
- Beleza.
E desligam. E caem, os dois, dessa vez, na gargalhada. Cada um em seu canto.
Cena dois (conversa no MSN)
Fulano diz:
Passei por gay hoje por sua causa.
Paula diz:
Ahm?
Fulano diz:
Estava voltando pra casa e lembrei daquele dia que atendi sua ligação e eu estava tomando banho. Aí dei risada sozinho. Nessa hora um cara passa e acha que dei risada para ele, e sorri de volta...
.
É... abalando corações!
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Quando o silêncio é a melhor opção²
Dia de resultado de vestibular. Os cursinhos locais vão com os alunos concorrentes para fazer a festa dos aprovados em frente à universidade. Morávamos a cerca de três quadras da universidade, mas não fomos acompanhar a 'festa'. Estávamos Graci e eu em casa quando entra o Buzzi, namorado da Fabi, que também morava conosco. Ele vinha da universidade.
- Meninas, eu estava lá na frente da universidade rindo da cara dos trouxas que não passaram no vestibular!
- Buzzi! A irmã da Graci não passou!
- Ah, Graci, nem se preocupe. Aconteceu. Eu tava rindo é dos trouxas que não passaram em Arte-Educação...
- Buzzi! Foi pra isso que a irmã dela tentou!
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Quando o silêncio é a melhor opção¹
- Ah, eu não gosto de Francisco.
- E eu de João.
- Ah, não, gente, mas não tem pior que José. José é muito feio! - exclama uma das amigas. Duas outras, meio em desespero, replicam:
- Déia! O nome do Jota é José!
Parênteses. Jota é um dos colegas na roda, um piadista que se dá bem com todo mundo.
- Ai, sério Jota? Desculpa... Mas pensa, podia ser pior, podia ser José Antônio.
- Déia, fica quieta. O nome dele é José Antônio!
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Ops...
20 de julho de 2007: morre ACM, senador pelo DEM-BA, aos 79 anos, em decorrência de falência de múltiplos órgãos secundária à insuficiência cardíaca.
Agosto ou setembro de 2003. Corbélia, Paraná.
Cinco amigas sentadas no banco de uma pracinha que tem, em frente, uma garagem de ônibus. Já é tarde da noite e um ônibus entra na garagem. Uma delas diz, ao ler a placa:
- ACM... esse nome não me é estranho...
- Antônio Carlos Magalhães - exclama outra.
- Ah, é mesmo. E ainda nem encontraram o corpo dele, né...
- Talvez porque ele esteja vivo?
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Mestre de obras
- Vamos atravessar a rua? Tem uma construção aqui, vai ficar difícil de passar.
- Mas do outro lado também tem, olha!
- Verdade. Então vamos ficar do lado de cá mesmo que os pedreiros são bem mais bonitos!!!
terça-feira, 21 de setembro de 2010
O seu copo está meio cheio? O meu precisa ser vazio...
- Aé? À vontade?
- Não, né... posso comer dois copos de requeijão no máximo duas vezes por semana...
- Mas tem que ser requeijão light?
- ...
domingo, 19 de setembro de 2010
Sandra Rosa Madalena
- É só Paula.
- Ah, achei que era Ana Paula...
- É Paula Fernanda - disse, rindo, um terceiro.
- Não, isso eu sabia. Paula Fernanda. Mas achei que era Ana Paula também...
Ps. Eu disse que meu nome era difícil...
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Enamorada
- Meninas, vocês não vão acreditar. Eu tava andando num shopping e um cara saiu correndo atrás de mim. Deixou a loja que estava cuidando e veio atrás de mim. Disse que eu era muito 'hermosa' e que ele estava 'enamorado' de mim! E ele é tão lindo! Aiai...
- Sério, Lívia? Como assim? - perguntei.
- Não sei, eu tô encantada.
- E aí? Qual é o nome dele? - questionou a Lari.
- E aí que ele anotou meu telefone e vai me ligar pra gente sair mais tarde. Juan. Se chama Juan. Nome de galã, né?
- Uau! - Exclamamos, as duas.
Dito e feito. Mais tarde o tal do Juan liga e eu atendo.
- Hola.
- Hola. ¿Lívia?
- No, no. Aqui es Paula, amiga da Lívia. Un minuto. - e coloquei a mão no bocal do telefone, para gritar: - Líííívia! Telefone pra você. Acho que é seu príncipe...
- Ai, me dá! Hola, Juan - debruçou sobre a estante, na maior pose apaixonada -, sim, sim, tô bem. Claro! Hoje! Isso. Mais tarde. Tá. Onde te encontro? Ok. Até lá.
Desligou o telefone.
- Ai, gente, eu vou ver o Juan! Ai, ele é tão lindo, tão 'hermoso'.
Tomou aquele banho, colocou aquela roupa, passou o melhor perfume, um salto bem bonito e foi. Mais tarde voltou, com um sorriso enorme.
- Meninas, vocês não vão acreditar. Ele é um encanto. Super romântico. Ele disse que quer me beijar 'de pelo a pelo'.
- De pelo a pelo? Uuuuui! - gritamos.
E assim foi, por uns dois ou três dias. A Lívia saía e voltava encantada com o Juan. Até que ela chega dizendo que ele havia convidado, também, a mim e à Lari para sair.
- Ele vai chamar dois amigos dele! Vai ser perfeito!
Chegado o tal dia, nos arrumamos. Eu e a Lari estávamos ansiosíssimas para conhecer os nossos 'pretendentes porteños'. O interfone toca.
- São eles!
Descemos. Ao sair do elevador, um susto. Dois 'chicos' um tanto quanto... esquisitos à porta. Nessa hora a Lari segura meu braço com força.
- Paula, estamos ferradas...
E Lívia interrompe, animada:
- O sem boné é meu!!!
Risos. Muitos risos. Eu tentei me conter ao máximo, mas foi muito complicado com a crise que deu na Lari.
- Y ¿dónde está el tercero? - perguntei.
- Allá, en el auto.
Nisso o de boné enganchou no braço da Lari e a Lívia abraçava o seu 'amor'.
- Me llamo Max - disse o que acompanhava a Lari.
Chegamos ao carro. O terceiro - meu pretendente!!! - parecia que tinha acabado de chegar de Bollywood. Ou Ciudad del Este, tanto faz. Mas, no carro, só cabiam cinco pessoas. Logo, uma precisava ir no colo. É claro que a Lívia foi a escolhida.
Eu e a Lari ríamos, muito. E a Lívia começou a perceber que era do seu acompanhante. E começou a ficar envergonhada. E ele, para ajudar, ficava gemendo no seu ouvido. E dizendo todos os lugares no corpo dela que queria beijá-la. Naquela noite.
O celular do Max tocou. Um amigo que, ouvindo a conversa e as risadas no carro, perguntou quem estava junto.
- Três brasileñas - exclamou. - ¿Quieres hablar con una de ellas? Si, un minuto. Paula, hable con mi amigo.
- Hola. Todo bien, ¿y vos? Si, si. Aún no sé dónde vamos. ¿Max? ¿Si? No creo!
- O que? - perguntavam as meninas. Max abriu um sorriso de vitória.
- O amigo do Max me disse que ele tem uma 'anaconda'. Acreditam? ¿Verdad, Max?
- Eso dicen. Pero no es una anaconda, cerca de los brasileños. Pero funciona bien, le garantizo.
Pronto. Fechou com chave de ouro. Até o Juan começar a fazer danças sensuais para a Lívia no meio do bar lotado, claro.

Uma fotinho do encontro, para imortalizá-lo.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
E você,quer ser um porquinho-do-mato ou um porquinho-da-granja?
Além disso, eu viajaria na semana seguinte para um país desconhecido, onde permaneceria por duas semanas. Eu precisava tratar daquilo logo!
Chamei uma das meninas que morava comigo para me acompanhar à clínica. Não marquei consulta, era uma emergência.
- Tem algum médico de plantão?
- Tem sim, o dr. Napoleon, você já é paciente?
- Não, primeira vez.
E última.
Dr. Napoleon é um chileno que vive há tempos aqui. Mesmo assim, não fala o português de maneira muito... 'entendível'. É médico com especialização em gastroenterologia. Mesmo sem querer, fui parar na consulta certa. Ou não.
Ao entrar no consultório, um senhor simpático me estendeu a mão.
- Bon dia, meninas. Quem vai se consultar?
- Eu, doutor - respondi.
- Entón, me diga, que você tem?
- Ai, doutor, eu tenho andado com o intestino maluco. Ou ele trava ou ele fica solto demais. Mas hoje tá impossível, não consigo ficar em pé que tenho que correr pro banheiro...
- Tudo bem, vou te examinar.
Checou pressão, batimentos cardíacos, garganta.
- Você quer ser um porquinho-do-mato ou um porquinho-da-granja?
- Oi?
- Um porquinho-do-mato ou porquinho-da-granja?
- Desculpe, não entendi.
- Quer ser um jugador de futebol pobre ou um jugador de futebol rico?
- Ahm?!
- Quer ser uma princesa ou um rei?
- Uma princesa?...
- Si! Porque a princesa es magriña e o rei, no, o rei es gordóóón. E o jugador de futebol pobre. Ele es esbelto, corre bastante, tem saúde. Já o jugador de futebol rico, não. É obeso. Ninguém na Europa quer ele, que volta no Brasil só pra jogar no Corinthians mesmo.
- ...
- E o porquinho-do-mato? Ah, ele sabe o que comer. Vai lá e escolhe todas as plantinhas saudáveis, pega só que faz bem. O porquinho-da-granja não. Pra ele dão ração, vai pra engorda e pro abate.
- ...
- Vou passar una dêta pra você.
- Uma o que?
- Una dêta.
- Uma dieta, Paula - disse a menina que morava comigo.
- Siiii! Nada de Coca Cola. Coca Cola no!
- ...
E começou a escrever a minha dieta.
- Mas doutor...
- Un minuto.
- E a diarreia dela, doutor? - perguntou a menina que me acompanhava.
- Ah, claro, claro. Si. Entón, por agora, pode tomar Coca Cola. Mas só porque Coca Cola ajuda com a diarreia. Vou passar uns exames para você. Daí você me traz os resultados. E depois que passar esse probleminha a gente vai seguir com a dêta. E você vai fazer junto com ela, porque está precisando - disse, enfático, à menina que estava comigo.
...
Quando saíram os resultados, voltei ao consultório.
- Vamos ver. No tem diabetes... nem pressão alta... Colesterol ok... É, pelo que parece no tem nenhum problema grave de saúde. Vamos começar a dêta?
- Mas doutor, meu problema ainda não resolveu...
- Entón continue o tratamento. Quando terminar, volte aqui que vamos começar a dêta.
...
Como meu problema não foi solucionado, fui procurar outro médico. Deixei de lado meu convênio e fui ao Posto 24 Horas, ser atendida pelo SUS. Ao entrar no consultório, expliquei ao médico o que se passava. Contei que tinha procurado outro profissional e que ele tinha me passado alguns exames.
- E você trouxe esses exames?
- Trouxe, sim.
Ele pegou o envelope, abriu. Olhou atentamente as páginas quando se deu conta.
- Mas aqui não tem o resultado do exame de fezes.
- Eu não fiz exame de fezes.
- Como não? Quem foi o médico... aaaah... não leve em consideração, ele está velhinho, já. E o que ele te disse?
- Perguntou se eu queria ser um porquinho-do-mato ou um porquinho-da-granja?
- Como?
- Isso mesmo que o senhor ouviu. Se eu queria ser um porquinho-do-mato ou um porquinho-da-granja.
O médico riu. Incontrolavelmente. Quando, finalmente, se conteve, me fitou bem dentro dos olhos.
- E você, respondeu o que?
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Erro de percurso
Depois de passar as férias na casa da mãe, ela voltava às aulas. E a cirurgia, almejada por longos anos, havia sido realizada. Uma tarde, na casa da amiga, lembrou-se de que não havia comentado com ela sobre o fato.
- Débora, te contei que finalmente fiz minha cirurgia?
- Não, sério? - disse, enquanto caminhou em direção à amiga. - Nossa, mas nem parece, não fez muita diferença - certificou, ao apalpar os seios da colega, que parecia assustada.
- É porque eu fiz a do olho.
domingo, 11 de julho de 2010
Minha irmã caiu do telhado.
Desde criança minha irmã ama os céus. Sempre quis voar.
Lembro de nós duas no chão da sala de casa, em Foz. Eu, sentada no chão, desenhava. Ela estava em pé no braço do sofá, escondida atrás da cortina.
- Paulaaaaa.
Quando eu olhava, ela se enrolava na cortina. Eu voltava para o meu desenho e ela tornava a me chamar. Olhava. Ela se enrolava na cortina. Isso diversas vezes. Até que o inevitável (e você conhecesse a Maya saberia que era realmente inevitável!) aconteceu: ela caiu de cara no chão. Começou a sangrar.
- Mãããããããe! - gritei, desesperada - a Maya caiu.
Nada. A Maya cair era tão normal que minha mãe sequer saiu de onde estava.
- Mãããããããe! A Maya 'tá' sangrando.
Correria. Um pano para estancar, a Maya no colo, em direção à garagem.
- Cuida da Paula - avisou à empregada -, preciso levar a Mayinha ao médico.
Lembro claramente da minha mãe ao volante, com a Maya no colo, a mão num pano, outrora branco, que tentava estancar a rachadura na testa. Alguns pontos a mais no histórico da minha irmã.
Outra vez estávamos na casa da minha tia, em Florianópolis. Eu saía do banho, o chão estava um pouco molhado. Era a vez da Maya ir para o chuveiro. Ela veio correndo, arrancando a roupa. Eu disse que o chão estava molhado? Pois é. A Maya deu um mortal e ficou, literalmente, de pernas para o ar. A cabeça foi em cheio nos trilhos do chuveiro. Corre pro médico, com a camisa empapada de sangue. Mais pontos, mais susto.
No colégio do Matheus, uma vez, a Maya caiu na escada. De quatro. Detalhe: ela estava de minissaia. Para sua sorte, ninguém passava no momento. E, na mesma época, eu e a Muri, uma amiga, presenciamos um dos tombos mais engraçados que já vimos: a Maya pulava nas tartarugas no meio da rua quando, do nada, quicou. Quicou, mesmo. Caiu de bunda e, num piscar, já estava de pé. Nem deu tempo de oferecer ajuda. Nada. Caiu e estava de pé. Hilário.
Outra vez saímos as duas, num domingo de Páscoa, de bicicleta, para desejar feliz páscoa a alguns amigos. A volta para a nossa casa era uma descida vertiginosa. Eu vinha pedalando na frente. Sou a mais velha, costumava ser mais atenta. Vi uma lobada à frente e gritei, enquanto freiava>
- Maya, quebra-molas. Vai com calma.
- Quêêêêê?!
Não deu tempo. A bicicleta dela bateu na minha e, enquanto me prensou e me levou ao chão, o impacto fez com que ela atravessasse a rua. Voando.
Mas nessa semana não. A Maya tentou se superar. Teve a capacidade de derrubar as chaves no telhado da garagem ao lado e foi buscar. O telhado cedeu. Ela caiu. Cerca de 4 metros. Caiu de costas, não podia andar. Conseguiu virar de bruços, rastejar até um pilar.
Mas, no telefone, ela me confessou. Não caiu. Ela queria era ver se ela era mesmo a Maya Poppins. Só esqueceu do guarda-chuva. Quem sabe na próxima...
terça-feira, 15 de junho de 2010
Reencontro
- Eu tinha 18, se não me engano, e você tinha 20.
- Hum... e com quantos anos você está, agora?
- 22.
- Nossa! Eu continuo mais velha?!