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terça-feira, 20 de março de 2012

Marquices

- Marco, quer ir na casa do meu namorado?
- Eu conheço o seu namorado, dindinha!
- Conhece sim. Sabia que ele tem um video game?
- Nossa, eu gosto MUITO do seu namorado, sabia, dindinha?

sábado, 24 de dezembro de 2011

Tempo

Não é no espelho que o tempo me assusta. É nas minhas crianças, que, confesso, quase já não são mais crianças. O tempo é cruel demais quando deixa que elas cresçam sem que eu acompanhe, sem que eu saiba. Sem que eu veja, dia a dia.
Porque, no espelho, o tempo não me machuca tanto. Mesmo que não seja mais a mesma e que a proximidade com o não-sei-o-que me assuste. Porque, pra mim, enquanto houver tempo, estou no lucro. Mas o tempo deles não é o meu. É longe de mim. E dói, como dói.



*Acho que o esquema é ir pra Terra do Nunca...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Grávida

- Matheus, sabia que você vai ter um novo priminho?
Olhos arregalados em minha direção. Silêncio. E mais silêncio.
- O tio Wan tá 'grávido' de novo.
- Ufa! Achei que fosse a Tati.
- Eu também achei que fosse a Tati - exclama a Pati, chegando à porta do quarto.
- Não... mas já pensaram que dó? Essa criança já vai nascer tia. Ou tio.
Risos. Mais tarde, ao telefone.
- Vó, a senhora vai ter mais um netinho!!!
- Ou netinha, vai saber.
- Verdade. O tio Wan, também, é um reprodutor em potencial, heim?!
- Nada, ele tá certinho. Você e a Tati que estão muito lerdas. Já 'tão passando do ponto...
...
- Tati, você sabia que vai ser tia de novo?
- Não! Como assim? Ninguém me contou!
- O tio Wan tá grávido de novo!
- Gente! Como assim?
- Não, Tati, e você não sabe o que a vó me disse. Que eu e você estamos passando do ponto, já...
- Não creio!
- É. As formadas, as estudadas, as centradas e outros 'adas' aí...
-É. As encalhadas.
...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Descobri que não posso ter filhos

Não, não fiz nenhum exame. Descobri isso há alguns minutos. Meu primo de 14 anos está passando a semana na minha casa. Almoçamos e deixei-o na esquina de cima da minha casa. "Você acha que consegue abrir o portão, Luquinhas? Tranca a porta, direitinho, e me dá um toque quando entrar em casa, tudo bem?". E vim para o trabalho. E nada do toque. E nada do toque. E nada do toque. E começou a chuviscar. "E se ele não conseguiu abrir a porcaria do portão, que vive emperrando? E se ele está na chuva? E se alguém pegar ele?".
Começou a me dar palpitações. "Vou para o jornal ou volto para casa?". Suei frio. "Acho melhor ligar para ele". Caixa de mensagens. "Droga. Porcaria de celular, de que adianta eu colocar créditos se nem ligado ele está?". Decidi que era melhor ficar calma. Se até chegar ao jornal ele não tivesse ligado, pediria para alguém ir, de carro, comigo, até em casa. "Falta só meia quadra... ai, Luquinhas, cadê o toqueee?". Olhei no celular, vai que havia tocado e eu nem tinha visto. Nada. Coloquei no bolso, mais fácil de perceber. Nada. Quase na porta do jornal, com o coração na mão, resolvi olhar de novo. Uma chamada não atendida. Olhei, número do Lucas. Alívio. Muito alívio. Alívio mesmo. Ufa. Ele está bem. Meu bebê (?!) está bem. Isso que nem é meu bebê, mesmo... Imagine quando tiver um!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Amor maior

Enquanto fui arrumar minha mochila para voltar para casa, ele me observava. Coloquei-a nas costas e, quando saí do quarto, ele entrou. Pegou a mochila de rodinhas e a trouxe arrastando em nossa direção.
- Tchau, mamãe. Vou morar com a dindinha uns dias.
- Como assim, morar com a dindinha?
- Eu vou pra 'Camorão' com ela...
- E vai me deixar sozinha?
Na tentativa de comover o pequeno que dizia que iria deixá-la por uns dias, e talvez até mesmo por perceber que, mesmo tão novo, era já tão independente e decidido, ela fingiu chorar. Colocou a mão sobre o rosto e fez o barulho que o filho, ao ouvir, soube exatamente do que se tratava. Dono de um coração puro e de uma sensibilidade incomum aos seus três anos e meio, ele acariciou a perna da mãe, como quem consola a alguém que ama, e deu fim à conversa.
- Não chora, mamãe. Vou morar com a dindinha só um pouquinho, tá?


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Maternidade


Vejo bebês à minha volta, aos montes. Isso me faz sempre pensar que, sim, estou pronta para ser mãe. Pelo menos biologicamente pronta, já que meu bolso diz o contrário. Boa parte das minhas amigas já são mães ou estão grávidas. Meu pai me pede um netinho toda vez que vou à sua casa. E isso vai acumulando minha vontade de sentir crescer, dentro de mim, aquela criaturinha perfeita, linda. Por outro lado, antes mesmo de pensar em achar um pai para meu bebê, já me vêm os medos: será que vai ser saudável? Vai se envolver com gente errada? Será que vou vê-lo (a) crescer? Ai, são tantos medos...
Mas a vida está aí, e o negócio, agora, é viver.

Obs. Nicole, a primeira bisneta da minha avó, acabou de nascer. Saudável, linda. E não vejo a hora de poder encontrá-la, de poder pegar no colo e mimar, muito. Parabéns, Thais. Te amo, prima.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Peripécias casamentísticas

Casamento no Rio de Janeiro. Mesma família junta por 4 dias. 18 pessoas dividindo a mesma casa. Com dois banheiros e um único chuveiro que prestasse. Colchões espalhados da sala à lavanderia, passando pelo quarto. 5 crianças.

- Paulinha, sabia que a casa que a gente vai morar fica na frente do mar? E da areia?

...

- Tem sal na água do maaaaar!!!
- Tem, Joninhas? E quem colocou?
- Foi Deus, ué!

...

Voltando do Galeão, vemos uma igrejinha (que depois um moço nos disse que era a Igreja da Sé) ao longe, num morro.
- Olha! Que lindo! Um castelinho...

...

- Paulinha, a Bahia fica no Rio de Janeiro?
- Não, Bi, a Bahia é um estado, como o Rio de Janeiro. Fica loooonge daqui.
- Então por que aqui tem a Escola Bahiense?

Crianças! =)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A Supremacia Dinda

Uma conversa ao telefone.
- Ai, Paula, precisa ver. Quando perguntam onde passamos o final de semana, o Marco não diz que foi na casa do pai nem da avó. Diz assim: 'na dindinha'.
...
(Diz que não é cria minha, diz...)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Buruga

Estava eu em um belo dia - ou era noite? - fazendo prancha no cabelo, quando o filho do meu padrasto, João Gabriel, o Buruga, com 2 anos, vem me incomodar.
- Ô tia Pulinha blablablablá...
- João, fica quieto!
- Tia Pulinha, isso aí é de quem?
- É meu, deixa aí.
- Posso brincar com isso?
- Não, João, fica quieto!
E corre pra lá, corre pra cá, grita, faz bagunça. Como toda criança hiperativa normal dessa idade. Acontece que, ainda por cima, João é uma criança baiana. Dessas que não ficam quietas nem sob protesto.
- Ô tia Pulinha... vou pegar aquilo ali...
- João! Vem aqui que agora eu vou passar a prancha no seu cabelo.
Mãos na cintura, olhar indignado em minha direção.
- Ó paí, ó, e eu lá sou 'mulé'?
...
Posso?