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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Elementar, meu caro...

Meu pai é gaúcho. Colorado e bom assador, como diz a placa que lhe demos, eu e meus irmãos, no Natal. E eis que conheço um rapaz, também gaúcho. Porém gremista. Quando as coisas começaram a ficar mais sérias, pensei diversas vezes em como contaria ao meu pai. "Pai, tenho uma notícia, mas ela pode ser boa ou ruim", pensava. Pois bem, comecei a namorar. Antes que meu pai descobrisse pelas redes sociais, decidi lhe contar. Via SMS.
"Paizinho, estou namorando. É um gaúcho."
Minutos depois, a resposta. Também por SMS.
"Que legal, filha! Fico feliz. Obs. Mas ele não é gremista, né?!"
.
Obviedades. O mundo está cheio delas!

domingo, 8 de janeiro de 2012

(Des)Serviço bancário

Foi ao banco. Ao chegar, procurou a atendente.
- Oi, pedi um novo cartão, queria saber se chegou.
- Só um minuto. Pode me emprestar seus documentos?
- Claro. Aqui está.
A atendente, com os documentos na mão, abriu a porta onde ficavam guardados os cartões. Procurou no P, até que encontrou o cartão da cliente: Paula Fernandes.
- Paula, neste envelope está o cartão e neste outro, a senha. Você pode desbloquear o cartão no caixa automático e, qualquer dúvida, é só me chamar.
- Tudo bem, obrigada.
E se dirigiu ao caixa. Inseriu o cartão, digitou a senha do envelope e, para que fosse desbloqueado, o caixa automático pediu que confirmasse o ano de nascimento do titular. "1985", digitou. "Não confere", avisou o caixa. "Será que digitei errado?", pensou. E repetiu os quatro dígitos: "1985". "Não confere", setenciou, mais uma vez, o caixa. Cancelou a operação e começou novamente. Desta vez, depois da senha, o caixa pediu o dia do nascimento do titular da conta. "25", digitou. "Não confere". "Ué, o que será que está acontecendo", pensou. E decidiu chamar a atendente.
- Moça, não está dando certo.
- Você é a titular da conta?
- Sim.
- Deixa eu ver no sistema, então. Posso pegar seus documentos novamente?
- Claro.
- Seu nome é Paula Fernandes mesmo?
- Não. Paula de Assis Fernandes.
- E quando pediu o ano você digitou 1985?
- Sim - respondeu, enquanto se perguntava se a atendente realmente acreditava que ela não se lembraria da data em que nasceu.
- E o dia, 25?
- Isso.
- Ué, não sei o que está dando errado... Deixa eu ver...
E, depois de mexer por quase cinco minutos no sistema do banco, olhou-me, com cara de espanto.
- Paula! Esse cartão não é seu! É de outra Paula Fernandes!
- Nossa! Outra? Aqui em Campo Mourão?
- Sim. Ai, me devolve aqui os envelopes. Nossa, será que ela não vai ficar brava? Ai, meu Deus...
- Ixi... Mas quantos anos ela tem?
- É de 1986.
- Ahm... - respondeu, enquanto pensou que a atendente tinha lhe dado a primeira das informações, caso estivesse mal intencionada. Pensou, também, que talvez tivessem entregado o seu cartão à Paula errada. E se ela ficasse devendo em seu nome? E se alguma coisa desse errado? E se... - Moça, e se entregaram o meu cartão a ela?
- Verdade! Vou entrar em contato com ela e ligo depois para você, pode ser?
- Pode. Ah, mas não vai ter perigo, né. Ela não vai conseguir desbloquear, já que não nasceu nem em 1985 nem no dia 25...
- Não, ela nasceu no dia 03.

...

Ainda bem que a Paula em questão não era mal intencionada...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Descobri que não posso ter filhos

Não, não fiz nenhum exame. Descobri isso há alguns minutos. Meu primo de 14 anos está passando a semana na minha casa. Almoçamos e deixei-o na esquina de cima da minha casa. "Você acha que consegue abrir o portão, Luquinhas? Tranca a porta, direitinho, e me dá um toque quando entrar em casa, tudo bem?". E vim para o trabalho. E nada do toque. E nada do toque. E nada do toque. E começou a chuviscar. "E se ele não conseguiu abrir a porcaria do portão, que vive emperrando? E se ele está na chuva? E se alguém pegar ele?".
Começou a me dar palpitações. "Vou para o jornal ou volto para casa?". Suei frio. "Acho melhor ligar para ele". Caixa de mensagens. "Droga. Porcaria de celular, de que adianta eu colocar créditos se nem ligado ele está?". Decidi que era melhor ficar calma. Se até chegar ao jornal ele não tivesse ligado, pediria para alguém ir, de carro, comigo, até em casa. "Falta só meia quadra... ai, Luquinhas, cadê o toqueee?". Olhei no celular, vai que havia tocado e eu nem tinha visto. Nada. Coloquei no bolso, mais fácil de perceber. Nada. Quase na porta do jornal, com o coração na mão, resolvi olhar de novo. Uma chamada não atendida. Olhei, número do Lucas. Alívio. Muito alívio. Alívio mesmo. Ufa. Ele está bem. Meu bebê (?!) está bem. Isso que nem é meu bebê, mesmo... Imagine quando tiver um!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Flight 956

Não era exatamente triste, mas também não era feliz. Faltava algo, sentia. Melhor, faltava alguém. Alguém a quem amasse e que também lhe amasse. Alguém em quem pensar até o sono vir e quando acordar. Alguém a quem mandar flores, ligar só para dizer que sente saudades, ir ao cinema. Faltava alguém. Ia bem no trabalho, ia bem na família. Mas sabia, faltava alguém. Até que a conheceu.
Na verdade, uma amiga lhe passou seu contato. Sabia que tinham interesses em comum e pensou em apresentar os dois. Ele, um argentino que vivia em Buenos Aires. Ela, uma russa, morando em Nova Iorque. Conversaram por pouco tempo pelo MSN. Ela não entendia muito de espanhol, tampouco ele de inglês. E perderam o contato. Até três meses atrás.
Estava à toa em frente ao computador quando uma janelinha se abriu. Era ela. Voltaram a conversar, ela já entendia sua língua. Já podiam começar a escrever sua história, em um único idioma. Ela lhe disse, então, que estava a caminho de Buenos Aires para assistir a um show em uma cidade ali perto. De um cantor que os dois gostavam, Indio Solari. Conheceram-se. Amaram-se. Agora, nada mais faltava.
Contudo, ela tinha a sua vida. E precisava voltar. Ele a acompanhou até o aeroporto e, em sua mente, pedaços da música. "Sua beleza como um flash... o tempo dirá... eu sei que você vai voltar". Com o coração na mão, despediu-se. Ela partiu. Ironia da vida, no voo 956.





No era exactamente triste, pero también no era feliz. Algo le faltava, el sentía. Mejor, faltava alguien. Alguien a quien amar y que tambien lo amaba. Alguien em quien piensar hasta el sueno venir y cuando despertar. Alguien para enviar flores, llamar para decir que siente su falta, ir al cine. Faltava alguien. Ia bien al trabajo, ia bien en la familia. Pero sabía, faltava alguien. Hasta conocerla.
En la realidad, una amiga le pasó su contacto. Sabía que tenian interes en comun y penso en presentar los dos. El, un argentino que vivía en Buenos Aires. Ella, una rusa, viviendo em Nueva York. Hablaran poco tiempo por el MSN. Ella no entendía mucho español, tampoco el inglés. Y perderan contacto. Hasta tres meses.
El estaba sin rumbo fije en el equipo cuando se abre una ventana. Era ella. Volvieron a hablar, ella ya entendía su idioma. Ya podían empezar a escribir su historia en un solo idioma. Ella le dijo, entonces, que estaba a camino de Buenos Aires para asistir a un concierto en una ciudad cercana. Un cantante que tanto le gustaba, Indio Solari. Se conocieron. Ellos se amaron. Ahora, nada mas faltaba.
Sin embargo, ella tenía su vida. Y necesitaba volver. El la acompañó hasta el aeropuerto y, en su miente, partes de la música. “
Tu belleza es como un resplandor... el tiempo dirá... yo sé que vos vas a regresar”. Con su corazón en las manos, se despedió. Ella se fué. Ironía de la vida, en el vuelo 956.

Desculpem pelos erros no espanhol, não sou muito boa. Para um amigo especial, porque sua história de amor merece ser conhecida.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Eu ainda prefiro o cowboy... e você?

Bergmann, candidato do PSol ao Governo do Estado, está criando um murmurinho chamando os dois principais concorrentes à vaga de governador do Paraná, Osmar Dias e Beto Richa, de "tio cowboy e sobrinho playboy". Eu, entretanto, prefiro o tiozão... vejam esse vídeo e me digam a opinião de vocês!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Penso, logo...

- Você estudou com uma cadeirante?! Legal... Eu tinha um calouro que era cego.
- Sério?
- Sim. Até hoje eu não sei como ele fez foto, mas...
- Verdade...
- Aliás, outro dia eu li uma matéria de um diretor de cinema cego. O assistente dele descrevia toda cena pra ele, onde estava cada coisa no cenário. Cena por cena. Legal, né?!
- É mesmo.
- E eu também vi alguma coisa sobre um fotógrafo cego... Interessante, né?! Como será que conseguem?
- É... Ou, mas pra eles não deve ser difícil colocar o filme na espiral pra revelar, né?!
.
Obs. Para revelar um filme é preciso enrolar o negativo numa espiral e colocá-lo no tanque de revelação com os químicos. Isso tudo no escuro. Se quiser saber mais, clique aqui (Item 3: Procedimentos para processamento do filme). Só para constar, as pessoas envolvidas no diálogo são completamente a favor da inclusão.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Messenger

Zelinda diz:
sempre tive muito orgulho de vc

Paula Fernandes - Correio do Cidadão diz:
e eu da vó mais linda do mundooo

Zelinda diz:
e vc sabe disso
nem q eu tivesse pedido nao teria neta melhor!!!!!!!!!!!!!!
seu vô onde tiver tb se orgulha da neguinha dele.......

...

E precisa mais?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Se a Justiça decidiu, quem sou eu pra contrariar?



Esse é o direito de resposta que o PT conseguiu, através da Justiça, que fosse colocado no site do PSDB. Original aqui.
(Tooooooooooooooooma!!!!)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O sorriso de Maristela



Entramos no galpão onde o artesanato era vendido e logo a vi, à espreita. Cada passo nosso era vigiado pelos olhos atentos e, quando se percebia avistada, o pelo sorriso encabulado e a tentativa de esconder-se atrás da janela. Sorrateira, me dirigi em sua direção. O que me esperava do outro lado me encantou. "Qual o seu nome", perguntei, me preparando para indagar o que significava o verbete Ava-guarani. "Maristela."
Maristela, apenas Maristela. Talvez por estar na tribo, por conversar com uma indiazinha, me surpreendi porque seu nome era tão latino quanto o meu. Estrela do Mar, a pequena Maristela na aldeia que a cercava.
Agora, olhando melhor, não entendo meu espanto. Não apenas Maristela, mas toda a tribo perdia o jeito indígena. Ao invés de pinturas, penas e cocar, Maristela usava um conjunto de saia e blusinha azuis. Nos pés, que em outros tempos estariam descalços, um chinelo de dedo. Azul, também. O cabelo, parcialmente preso por uma presilha amarela. E uma tatuagem de chiclete em sua testa a deixavam tão longe de ser índia quanto qualquer um dos meus primos de sua idade.
Maristela não era a única, ali, que parecia fora do seu lugar. Nenhum índio da aldeia parecia como os que povoam nossa imaginação. O espanto se tornou ainda maior quando duas mulheres que acompanham a tribo nos contaram que tiveram que ensiná-los a fazer o artesanato que era da sua própria cultura. Foram reeducados culturalmente.
Tudo para manter vivo nosso imaginário. Parafraseando um amigo, por que não manter intacta a cultura deles nos livros? Assim como a dos gregos, dos maias ou outros povos? Por que não deixar que, como nós, evoluam? Melhor, por que fingir que ainda são os mesmos índios, donos primeiros das terras brasileiras? Por que querer acreditar que o meio, o tempo, o convívio conosco ou a sua própria curiosidade não os tornaram diferentes?
Estudar a língua? Sim, mas registrá-la, para que não morra. Assim como seus costumes, sua vida, o que ainda é possível preservar. E deixá-los seguir em frente. Como qualquer outro povo.
E pensar que, mesmo fora de contexto, mesmo não condizendo com o que imaginava, mesmo que não responda às minhas, às suas ou a outras expectativas, o sorriso de Maristela cativava a quem olhasse. E, como um objeto a ser imortalizado, ficou registrado pelas lentes e pela memória de quem estava ali, naquele dia.

sábado, 5 de junho de 2010

O fim - real - de uma fase

Depois de anos, o reencontro. Virtual, mas haviam se conhecido assim.
O amigo, outrora colorido, estava mais uma vez presente na sua vida - virtual. Combinam de encontrarem-se assim que possível, já que moram em cidades distantes. Ele, pensando em, talvez, lembrar dos velhos tempos, esquece-se da inocência de crianças. Sem pudores, mesmo porque o mundo virtual lhe permite intimidades que jamais a boa educação do 'pessoalmente' deixaria passar, pergunta:
- Preciso saber de uma coisa. Sexo?
- Feminino, nunca percebeu?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Tem coisas... que só a dona Maria faz por você!

O celular toca.
- Oi, dona Maria, tudo bem?
Pausa para explicação. Dona Maria é minha avó, Zelinda, que não sei por que cargas d'água ganhou o apelido que carregou a vida toda, sendo chamada assim por filhos e netos.
- Oooo fia! Brigadão, viu? Amei o presente!
- Ah, a senhora gostou, dona Maria? Que bom! Chegou com cartão?
- Chegou sim. Tá escrito 'Que seu dia possa ser melhor com cheirinho de café fresco'. Adorei. Mas me explica uma coisa... o que que é esse trem aqui da Folha de S. Paulo que você mandou junto?
- Oxi. Que trem, vó?
- Um jornal aqui que você botou dentro da caixa.
- Não, vozinha, eu não mandei, não. Comprei no submarino, na internet. Eles mandaram direto para a sua casa.
- Aaaah (surpresa!)...
Nisso ela comenta com alguém que está perto. Um dos meus priminhos, imagino.
- Uai, fio, sabia que esse trem veio direto da internet aqui pra casa?
Não aguento. Não consigo conter os risos.
- Minina! Do que você tá rindo? É da sua avó, é? Que falta de respeito! Uai! Veio da internet, não veio?