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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Tum-tum

Tinha apenas quatro meses e toda a vida pela frente. Seu pequeno corpo ansiava pela vida. Lutava, quando outros já teriam desistido. Faltava-lhe um pedaço, nasceu com um buraco no coração. Mesmo assim batia, ávido. Pulava incansavelmente para fazer com que lhe amassem, que estivessem ali. E estavam. Até o último minuto. Até quando seu pequeno coraçãozinho cansou. E decidiu que era hora de parar. Mas viveu, amou e foi muito amado. Triste é pensar que outros tão inteiros, tão maciços, já não sabem para que batem. Criam um buraco muito mais difícil de tapar. E amargam suas vidas.

domingo, 14 de agosto de 2011

Ismália

Queria abraçar a mãe,
Queria parabenizar o pai
(E vice-versa).
.
Feliz aniversário, dona Lu. Feliz dia dos pais, seu Paulo. Amo vocês!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ausência de fé

A gente era inocente, lembra? Eu via em você todo o futuro que eu planejava pra mim. Mas você sequer percebia que eu existia. Pelo menos era o que eu pensava. O que sempre tive certeza, já que as minhas amigas sempre tiveram muito mais a sua atenção do que eu.
Sempre acompanhei sua vida. À distância, como eu podia. Comemorei seu casamento, o nascimento da sua filha. Comemorei, sim, porque aquilo que eu sentia, outrora, transformou-se num carinho enorme. Uma vontade grande de te ver feliz, sempre.
As nossas vidas tomaram rumos desiguais, bem diferentes. Eu acredito na alma humana, na força do ser, mas tenho medo. Muito medo. Você tem uma certeza que jamais me pertenceu. Quando conversamos, sempre sinto uma vontade forte, muito forte, de chorar. Eu tenho medo, meu querido, do que escolhi. Mas tenho medo, também, do que posso escolher. Eu penso que esse mundo é grande demais e que eu preciso conhecê-lo. Acredito que o futuro que, agora, tenho em mente, não cabem nos planos que você acredita serem os melhores. E tenho medo de estar errada.
Eu agradeço, mesmo, a sua ajuda. A sua insistência. A sua vontade de me ver, como você diz, no caminho certo. E espero que você não se decepcione comigo. E que você saiba que o que eu senti, um dia, por você, está aqui. Bem guardado. E faz com que eu pense realmente em tudo isso.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Grávida

- Matheus, sabia que você vai ter um novo priminho?
Olhos arregalados em minha direção. Silêncio. E mais silêncio.
- O tio Wan tá 'grávido' de novo.
- Ufa! Achei que fosse a Tati.
- Eu também achei que fosse a Tati - exclama a Pati, chegando à porta do quarto.
- Não... mas já pensaram que dó? Essa criança já vai nascer tia. Ou tio.
Risos. Mais tarde, ao telefone.
- Vó, a senhora vai ter mais um netinho!!!
- Ou netinha, vai saber.
- Verdade. O tio Wan, também, é um reprodutor em potencial, heim?!
- Nada, ele tá certinho. Você e a Tati que estão muito lerdas. Já 'tão passando do ponto...
...
- Tati, você sabia que vai ser tia de novo?
- Não! Como assim? Ninguém me contou!
- O tio Wan tá grávido de novo!
- Gente! Como assim?
- Não, Tati, e você não sabe o que a vó me disse. Que eu e você estamos passando do ponto, já...
- Não creio!
- É. As formadas, as estudadas, as centradas e outros 'adas' aí...
-É. As encalhadas.
...

sábado, 25 de junho de 2011

Weddings

O ano está na metade e já fui a quatro casamentos. Nunca fui em tantos em tão pouco tempo. A sensação que tenho é de que estou ficando velha demais para isso. Minhas amigas começando suas vidas com seus maridos e eu sequer tenho um namorado. Não que esteja procurando um, não é isso. E também é bem verdade que volta e meia me sinto muito sozinha. Só que tenho medo de ser sozinha para sempre, mesmo sendo o que eu quero, por hora.



A questão é que, mesmo que eu goste - e muito - das amigas que casaram até então, nesta semana se casou a primeira das minhas amigas de muito tempo, mesmo. Sabe aquela história de casamento da melhor amiga? Então, mais ou menos isso. Não sou mais criança e não tenho mais esse negócio de melhor amiga. Tenho grandes amigas, e, claro, sempre há aquelas com maior afinidade. Maior companheirismo. Maior amor, por que não?


A Jackie sempre foi caso de amor. Nós nos amamos, por menor que seja o contato que tenhamos. Ela sempre esperou muito de mim e eu dela, e mantivemos a nossa amizade, mesmo com toda a distância, por esforço mútuo. Mais meu, às vezes, mais dela, outras vezes. A questão é que não importa o tempo que se passe, o reencontro é sempre uma delícia. Assim como com a Bruna, outra amiga que estava no casamento.


Sempre soube que a Jackie ia ser a melhor. Qualquer que fosse a área que escolhesse. Porque ela quer ser a melhor, ela se dedica para isso. Sempre se dedicou. Hoje é jornalista, uma das mais bem colocadas com a minha idade. Vive bem, ganha bem. Pode não ser a melhor, ainda, mas porque o tempo de carreira ainda não é suficiente para isso. Ela chega longe. Onde quer. Sabendo, sempre, o caminho.


E talvez por esse jeito determinado e independente da Jackie, jamais imaginei que se casaria. Tão cedo, ainda por cima. A Jackie sempre foi razão. A emoção ela guardava, encapsulava, estocava. Ela amou muito, várias vezes. Sempre com os dois pés bem colados ao chão. Diferente de mim, que a primeira coisa que faço é me jogar. Pulo com tudo, com as pernas pro ar num romance novo. A Jackie sempre soube onde queria chegar, e precisava dominar muito bem o caminho.


Anteontem, quando a vi entrando, linda, para ser a primeira do nosso grupo a casar, chorei. Muito. Queria abraçar, apertar, desejar tudo de bom. Sempre. Porque a Jackie merece. Porque a amo, e quero que ela sempre saiba disso. Porque estou muito feliz com a sua felicidade. Especialmente porque ela estava linda, num momento lindo. E a gente chora quando as coisas são bonitas.



"Nós choramos quando alguma coisa é triste. E às vezes também derramamos alguma lágrima quando alguma coisa é muito bela. Quando algo é engraçado ou feio, nós rimos. Talvez algo muito bonito também nos deixe tristes porque sabemos que não vai durar para sempre. E rimos do que é feio porque compreendemos que é só uma brincadeira." (Através do Espelho - Jostein Gaarder)


Eu chorei, e sempre choro em casamentos, porque aquele momento é único. É perfeito. É lindo. Ver o noivo quando a noiva está entrando. Ver os sorrisos nos olhos na hora do sim. Ver o trunfo do ‘pode beijar a noiva’. Casamento são lindos, sim. O da minha melhor amiga, então, foi emocionante. Que seja eterno. E dure para sempre.


(Jackie, sê feliz, amiga. Sempre. Amo demais você.)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ponto, sem vírgula

É difícil, mas a gente precisa entender quando não dá mais. Quando faz mal pra gente, quando a falta e a dor são maiores que o que a gente sente. É sério, eu gosto de você. Mas você não é pra mim.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Póstumo

Ela acordou com o sorriso no rosto, dando-lhe um beijo de bom dia. Era o seu dia e ela queria que ele se sentisse especial. Ao abrir os olhos, ele viu o sorriso e logo entendeu.
- Hoje não, amor. Hoje não.
Não, ele não gostava daquele dia. Para ele, o dia era de resguardo. Sigilo, prece, aquietação. Sua alma, presa, queria gritar. Queria que gritasse, que chorasse, para que, enfim, esquecesse. Mas ele preferia calar. Não gritava, não chorava e as memórias lhe martelavam a cabeça. Como esquecer de algo que o acompanhara por toda a vida?
Tudo aconteceu dois meses antes do seu nascimento. O pai, taxista, havia sumido. Ninguém sabia do seu paradeiro. A mãe esperou por longos dois meses. Ao pai e ao filho, que estava por vir. O filho chegou e, com ele, a alegria do nascimento de uma criança tão esperada. Mas o pai não estava ali para ver que era a sua cara. Para ajudá-lo nos primeiros passos, com sua primeira bicicleta e ensinar a conquistar a primeira namorada. Não, o pai havia sumido. Até aquele dia.
Enquanto o médico felicitava a mãe pela chegada do menino, um parente entra pela porta com ares de velório. Haviam encontrado o pai da criança. O corpo dele. Estava morto. Morreu porque alguém imaginou que sua vida valia menos que seu automóvel. Morreu, mas o carro não estava mais ali.
- Hoje não, amor. Hoje não. Você sabe, não gosto de comemorar meu aniversário. Amanhã, se você quiser, eu aceito os parabéns. Mas hoje não, por favor.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Excertos



- Vem, vamos por aqui que vou te mostrar onde eu morava.
Enquanto descíamos a rua, ela não conseguia segurar a expectativa. Andar por ali não era apenas dar um passo na frente do outro, era mais. Era voltar ao passado e às experiências de uma infância feliz. Era recordar os medos por não conseguir ver além do muro, ou das ratazanas que a infernizavam, por vezes, no quintal.
- A gente sofria, heim. O vizinho tinha um galpão para por trator, que era bem... nossa! Era ali, onde agora tem aquela casa! Paula, ali era um galpão! E era cheio de ratos, aquelas ratazanas bem grandes, que iam para a nossa casa...
Enquanto ela fala, a minha mente voa. Me transporta à realidade dela, mas me traz, na verdade, a minha infância. Penso no que vivi e no que poderia ter vivido. Tantas árvores para subir, ruas para correr, borboletas para caçar. Amigos por fazer, tanta coisa para viver, ainda. Mas que já vivi, ao meu modo, de acordo com o caminho que eu trilhei. E sinto inveja por não ter raiz. Por não ter sido de um só, ou até mesmo de menos lugares. Sinto inveja das amizades que me foram arrancadas em idas e vindas. Das oportunidades que me foram tiradas de um lado para o outro.
- ...eu até entendo o ciúmes dela...
- Ah, mas eu também. Isso é óbvio.
- Não, mas escuta. A gente brincava lá na rua e eu não sabia...
Por outro lado, agradeço o sem-fim que me foi dado. Os amigos que, mesmo perdido o contato, ainda são vivos no meu coração. Na minha alma. Agradeço a tudo que aprendi, tudo que vivi. E agradeço, também, a esta amiga. Que me deixou conhecer um pouco mais o seu mundo. A sua vida. Desde a sua infância.
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Porque, no fundo, a nossa amizade é de muito antes de existirmos. Amo você.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

I wish you a...

Sempre gostei de Natal. Não só porque é meu aniversário, mas principalmente pelo clima contagiante de festa, de renovação, de amizade. De paz. E no Natal sempre tem reunião de família. Seja no lado do pai, seja no lado da mãe. E sempre é uma delícia.
E este Natal, apesar de ser o segundo sem o senhor, é o primeiro que me reuni com nossa família, vozinho. E é inevitável sentir sua falta brigando com o barulho alto até tarde, contando os causos de sempre e abusando tudo o que podia e não podia na comida. Porque essas coisinhas que marcaram, seu Ney, ocupam um espaço pequeno em todo o montante da falta que você faz.
Incrível como cantarolei hoje, o dia todo, mentalmente, o seu Caiarolina, meu amor. Nunca mais tinha passado pela minha cabeça. Mas hoje, não. Hoje eu lembrei da Caiarolina, da Tatelhana, sua filha tão bacana, e do senhor bravo com a vó Inha no nosso último amigo secreto, quando ela confundiu o amigo dela com o do senhor. "Uai, 'fia', não entendi nadinha da confusão que sua avó fez. Eu tirei você, não a Márcia". Há exatos dois anos, vozinho, o senhor deu um baita susto na gente, que chegou de madrugada da casa do tio Wan e se deparou com o senhor tendo uma crise por causa da insulina e dando uma 'pane'. Eu te abracei, vozinho, e falava no seu ouvido para que não nos deixasse. Que, se me ouvisse, apertasse a minha mão, para a gente saber que o senhor estava ali. Sustão, seu Ney. Mas o senhor voltou quando os paramédicos chegaram e aplicaram alguma coisa que eu não sei o quê que te reanimou. Ia ser muito cruel o senhor fazer sua partida no aniversário da sua neta número um, né. E o senhor esperou. Não que tivesse amenizado a dor da sua partida, mas pelo menos nos deu, uma última vez, a chance de comemorar as festas de final de ano contigo. Até nisso o senhor pensava na gente, seu Ney. Até na hora de nos deixar. E de se fazer presente, sempre. Saudade, vozinho. Onde o senhor estiver, espero que receba um abraço apertado de feliz Natal. Amo você.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

João. Do pé de feijão.


"Ô, 'muié', quer me derrubar, é?"
O João é amigão. Desses que te dá saudades sempre, porque parece que todo tempo com ele é pouco. É amigo de jogar conversa fora, de rir de tudo e de todos, mas de conversar sério também. O João tem visão. Ele consegue ver futuro onde a gente não vê nada. E ele ajuda a gente a ver, também.
O João é peculiar. Porque o gosto dele vai de um extremo a outro em segundos. Com o João não tem tempo ruim. Tudo vira farra. Até tubão fica mais bacana quando ele está com a gente. O João aproveita, até, a gente virar o tubão pra contar nossas histórias malucas e rir da gente. Com a gente.
Porque o João é assim, todo ele. E faz uma falta danada nos meus dias. E por isso que hoje, quando a Lari me ligou perguntando o que eu achava de mandar flores pra ele no trabalho, pelo aniversário que comemora, topei. Na hora. Porque o João merece. E porque ele ia ficar todo derretido. Não, 'homi', não queremos te derrubar não. Queremos que você saiba o quanto é especial. E o quanto a gente te ama. Parabéns, querido.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Patinha

Desde que a conheço, a nossa relação é tuburlenta. É um caso de amor e ódio. Não ódio, necessariamente, mas de impaciência. Muita impaciência. Da minha parte, sempre. Ela fala, eu retruco. Ela acha, eu contrario. Muitas vezes só pelo prazer de contrariar. E ela sabe: tem o dom de me irritar. Sem esforço, sem nada.
Contudo, preciso admitir: poucas pessoas na vida têm uma amiga tão boa. Tão dedicada, tão... amiga. E, confesso, minha vida é bem mais feliz com você aqui. Mesmo que eu me irrite, por vezes. Porque dificilmente alguém faria o que você tem feito. Dificilmente alguém aguentaria tantas e tão frequentes crises com paciência. E cuidaria tanto quanto você cuida de mim. Da nossa amizade. Brigada, flor. Mesmo. Amo você.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Oásis

O verde dos seus olhos refletia a vontade de viver que lhe brotava da alma.

Sol maior

Quando cantava, sua voz entoava os anseios do seu coração. E também os do meu.

Droga!

Divertia aos outros com as peripécias que vivera enquanto criava mais um jargão.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Insubstituível

Ninguém é soberano. Todo mundo, por mais falta que faça, pode ser substituído. E essa é uma das mais bonitas - e também doloridas - verdades da vida. Por isso que conseguimos seguir em frente com a perda de um ente querido. Esse é o mesmo motivo pelo qual, depois de termos nos descabelado de tanto chorar quando um amor nos abandona, conseguimos encontrar outros olhares e sorrir.
Assim, uma pessoa sensata jamais exigiria de alguém que escolhesse entre si mesmo e outrem. Porque as pessoas, assim como o tempo, são efêmeras. Suas ideias mudam, suas escolhas também. Seus cabelos, suas unhas, seus gostos, sua vida. Tudo está o tempo todo em rotação e translação, junto com a Terra.
Mesmo assim, cada pessoa nova no nosso caminho vem a somar, não a, necessariamente, substituir. Isso cabe às nossas escolhas. Até mesmo à escolha de isolar-se, ofender-se, distanciar-se. Cada um sabe de si o que pode ou não aguentar. E quando deve, ou não, mudar. Substituir. Ser substituído. Seguir.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Recíproco

- Eu posso viver sem Beltrano e até sem Cicrano, mas não sem você!

É, meu bem, eu também. Eu também...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Finally, I found you

Encontrei, depois de tanto tempo, você. Confesso que o procuro há tempos, desde que você decidiu excluir toda sua vida virtual do mapa. E hoje, numa tentativa quase absurda de achar um resquício cibernético que me desse notícias suas, digitei seu nome. Letra por letra, sem esquecer uma. Como se fosse possível, já que elas combinavam sempre de vir à minha mente. Vinham as letras, depois o sorriso e, então, o jeito meigo e doce que outrora me encantou. A propósito, eu já te disse que me encanto fácil? Foi assim a vida inteira. Difícil é o encantamento durar tanto tempo. Tempo.
Óbvio, você não se manteve o tempo todo intacto na minha mente. Mas o fato de eu te procurar tanto prova que, sim, o encantamento há. Sempre houve.
Pequenas coisas sempre me lembram você. As fotos de uma colega que ainda me irrita, mesmo à distância, porque era a ela quem você via. Alguém comentando sobre Kojak numa esquina qualquer. Um bom vinho com uma boa companhia. Ursinhos de pelúcia, sempre. Um sorriso bonito num alguém inseguro. E pronto, lá vem você fazer parte do meu dia.
Queria te contar que voltei a estudar inglês, que estou escrevendo um livro e organizando um casamento. Queria que soubesse que trabalho sozinha num jornal pequeno que cresce a todo vapor. Queria te falar que conheci Buenos Aires e que a cidade é linda. Mas eu queria muito mais saber o que você fez nesse tempo todo. Por onde andou, quem conheceu, quantas vezes se apaixonou. Queria te chamar pra sessões de filme lá em casa de novo, ficar cuidando da sua respiração e vendo, de canto de olho, cada movimento seu. Tanta coisa eu queria.
E hoje eu te encontrei. Meu coração, que sabia já o ritmo a seguir caso você estivesse ali, bateu mais forte. Como antes, como sempre. E minhas mãos tremeram quando os meus olhos constataram que você renasceu ao ciberespaço. Fucei, em tudo o que dava e em tudo o que podia. Admito, apesar do tum-tum-tum e da tremedeira, fiquei um pouco triste ao ver que, ao que me parece, você já não é mais o mesmo. Tampouco eu. Mesmo assim, hoje eu vou dormir feliz. Porque finalmente te encontrei.



"Um sorriso é algo inexplicável. Vem de dentro, enche a alma e incendeia o coração.
Um sorriso melhora um dia. Uma semana. Quiçá, uma vida.
Acredito que todos deveriam aprender a sorrir, mas sorrir de verdade.
Sorriso sincero, amigo, que acaba - ou pelo menos diminui - com qualquer dor.
Toda dificuldade se torna mais branda quando sorrimos.
O sorriso de um reencontro vale a distância e a ausência enfrentadas.
Um sorriso cativa, alegra, desarma. Nos deixa completamente sem defesa, à mercê da vontade alheia.
Sorrindo, todas as lembranças são boas. E cada segundo vivido é mais gostoso com um sorriso.
Se sorrir não vale a pena, então nada mais vale.
Você é como um sorriso. Sempre traz alegria. Faz toda a diferença no meu dia."

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Lucky

Gostava era da plateia. Dos flashes, do glamour. Gostava de sentir-se o centro das atenções porque, quando fechava a porta do quarto sabia: estava sozinha. E estava porque escolheu. Porque assim quis. Porque preferia mergulhar numa realidade colorida que encarar a vida, nua e crua. Preferia acreditar nos contos de fada que narrava que olhar para o lado e ver que havia dor. E que causava dor. Porque lhe doía tudo isso.
Assim, com um copo de vodka na mão, fingia embriaguez. E o show começava. Mesmo que todos já soubessem o fim e ouvissem, a longa distância, os soluços vindos do seu quarto. Ou melhor, quase todos. Aqueles que precisavam ouvir os soluços também preferiam imaginar que eles não existissem. E ficavam calmos quando ela ligava o rádio e ouvia a sua música preferida. Aquela que definia a sua vida.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Direito de resposta

O fato de eu discordar de você não te dá o direito de depreciar a minha opinião, querido. E você estar na minha casa deveria, mais ainda, fazer com que você respeitasse a mim. Fora dali, não, você pode ser boçal quando quiser. Não que deva, mas pode. Na minha casa, não. Agradeça por ter mantido a compostura e não ter lhe mostrado o caminho da porta. Fiz pela amizade que prezo e pela educação que me foi dada. Somente por isso.
E quanto a casar de branco, entenda: nem sempre foi dessa cor. As famílias ricas de antigamente, da época em que a única opção para tingir um tecido era a negra, montavam suas noivas de preto. E era um luxo. Na China, por outro lado, a opção era o vermelho, que representava o amor. Aqui no Ocidente que inventamos a tal da história da pureza que, sim, por nossa criação patriarcal sempre foi imposta à mulher. Mas não, querido, não foi sempre branco. Por muito tempo a cor predominante foi a azul, que impunha o mesmo tom puro à noiva. O branco foi adotado depois da Rainha Vitória, a primeira noiva a entrar de branco, se casar com o Príncipe Albert, no século XIX. As mulheres que a seguiram o fizeram pelo amor, respeito e devoção à rainha que tanto admiravam. Me equivoquei, também. Porque pensei que o branco tinha um significado especial, mas veja só, não tem. Seu uso também ficou associado à pureza e virgindade, mas não é o sentido dado originalmente. Incrível o que a gente descobre com o google, não?
E quanto à pureza e virgindade, encontrei alguém que pode explicar o que eu quero bem melhor do que eu jamais poderia. E quem sabe, assim, te fazer entender que o discurso homofóbico que você tanto procura pode estar dentro de você mesmo. Porque, sim, eu tenho meus preconceitos, infelizmente todos os temos. Contudo, respeito limites e busco entender as diferenças.
Faltar com o respeito com alguém que notoriamente sabe menos que você ou que discorda do seu pensamento é um tipo de preconceito. Nada velado. Nada bonito. Reverso, até. Você é inteligente, é crítico, é perspicaz. Todos sabem. Então, segure você o seu reggae, senão, um dia, é você quem dança.