Cena um (ao telefone)
- Oi!
- Oi, tudo bom?
- Tudo. Você me ligou?
- É, liguei, queria saber se você não quer fazer alguma coisa hoje...
- Heim, esse barulho ao fundo... é água? - pausa para perceber que a lua brilha lá fora e não há o menor sinal de chuva por perto - Você está tomando banho?
E cai na gargalhada.
- Estou, por que?
- Como assim por que? Você está tomando banho e atende ao celular no banho? Você está falando comigo enquanto toma banho? Meu, me liga hora que você sair, pode ser?
- Beleza.
E desligam. E caem, os dois, dessa vez, na gargalhada. Cada um em seu canto.
Cena dois (conversa no MSN)
Fulano diz:
Passei por gay hoje por sua causa.
Paula diz:
Ahm?
Fulano diz:
Estava voltando pra casa e lembrei daquele dia que atendi sua ligação e eu estava tomando banho. Aí dei risada sozinho. Nessa hora um cara passa e acha que dei risada para ele, e sorri de volta...
.
É... abalando corações!
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Gay. Por minha causa.
Isso pertence a...
a senhora dos micos,
admirável mundo novo,
coisas da modernidade,
ctrl c ctrl v,
mas heim?,
mico total,
paranóias e psicodelias,
pérolas,
pira total
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
In memoriam
- Filha, você está sozinha?
Disse minha mãe, ao telefone, às seis da manhã. Respondo meio irritada com o horário, esperando vir a bronca.
- Não, mãe.
- Que bom. Porque ele vai poder te dar forças.
- ...
- Filha, o vovô foi embora hoje, às três da manhã...
Já fazem três anos. Exatos três anos hoje. E recordar desse diálogo sempre me tortura. Eu sinto a mesma dor que senti naquele dia. Mas parece que já me acostumei com ela. Já consigo falar sem embargar a voz. Já consigo pensar com uma saudade mais gostosa que dolorida. Já consigo ouvir falarem sobre sem chorar. Sabe, seu Ney, entendi que o tempo cicatriza as feridas, mas não apaga as marcas. Mesmo assim, gosto da que ficou. De poder lembrar do senhor com um sorriso no canto da boca. De lembrar até das nossas brigas e ver que sim, cada segundo valeu à pena. Das coisas que aprendi, que o senhor me mostrou. Você sempre foi tão atencioso, vozinho. Espero que esteja bem, onde estiver. E que eu tenha lhe libertado, porque juro que tenho tentado. Muito. Amo você, seu Ney.
Disse minha mãe, ao telefone, às seis da manhã. Respondo meio irritada com o horário, esperando vir a bronca.
- Não, mãe.
- Que bom. Porque ele vai poder te dar forças.
- ...
- Filha, o vovô foi embora hoje, às três da manhã...
Já fazem três anos. Exatos três anos hoje. E recordar desse diálogo sempre me tortura. Eu sinto a mesma dor que senti naquele dia. Mas parece que já me acostumei com ela. Já consigo falar sem embargar a voz. Já consigo pensar com uma saudade mais gostosa que dolorida. Já consigo ouvir falarem sobre sem chorar. Sabe, seu Ney, entendi que o tempo cicatriza as feridas, mas não apaga as marcas. Mesmo assim, gosto da que ficou. De poder lembrar do senhor com um sorriso no canto da boca. De lembrar até das nossas brigas e ver que sim, cada segundo valeu à pena. Das coisas que aprendi, que o senhor me mostrou. Você sempre foi tão atencioso, vozinho. Espero que esteja bem, onde estiver. E que eu tenha lhe libertado, porque juro que tenho tentado. Muito. Amo você, seu Ney.
Isso pertence a...
das minhas raízes,
essa tal de saudade,
familia amada,
homenagem,
mundo mundo vasto mundo,
no meu mais profundo eu,
vida bandida,
vozinho amado
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
O que me faz sorrir...
Ver e passar o tempo com a minha família me faz sorrir.
Meu Pingo lindo, todo faceiro quando chego em casa, só por me ver, me faz sorrir.
Encontrar um amor, mesmo que do passado, e ver que está bem me faz sorrir.
Minhas conversas com minhas amigas me fazem sorrir.
Viajar me faz sorrir.
Conhecer gente nova, bonita (não estou dizendo de aparências, beibes. Gente bonita por dentro. Porque o essencial é invisível aos olhos, lembram?), divertida, me faz sorrir.
Minhas crianças perto de mim me fazem sorrir.
Ver que ainda há esperança me faz sorrir.
A balança, ultimamente, me faz sorrir (ueba!).
Uma gargalhada boa, de criança, especialmente, me faz sorrir.
Ver que sou bem quista a quem quero tão bem me faz sorrir. Por isso que, receber esse selo de alguém especial como a Carol, me faz sorrir. Je t'adore, mon amie! (Viu, ainda lembro de alguma coisa das aulas de francês! Hahahaha)
Mas a Carol explicou que precisava falar apenas duas coisas que me fazem sorrir... É pouco, gente, muito pouco... Então coloquei umas a mais... E as cinco pessoas sorridentes que me fazem sorrir, além dessa minha amiga querida cheia das gargalhadas gostosas, são minha mãe, a Lari, a Graci, o Pedro e a Camis. Queridos, me contem, o que os faz sorrir!? Vamos espalhar esses sorrisos? Beijos. E sorrisos!
Isso pertence a...
feliz demais da conta,
homenagem
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
A gente
A gente não escolhe gostar, a gente gosta e ponto. Era bem mais fácil gostar de alguém que a gente sabe que gosta da gente. Sem dúvida, a primeira opção. Todo mundo gosta de ser primeira opção. Mas a gente parece que gosta de sofrer, não sei. Gosta de viver de dúvidas, cheio de incertezas. A gente gosta da conquista, muito mais que do gostar, mesmo. A gente tinha que mudar. Porque assim, a gente sofre. Muito.
Isso pertence a...
achismo,
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foi mal aí,
no meu mais profundo eu,
paranóias e psicodelias,
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Choque de realidade
Duas mãos entrelaçadas e o mundo desabado. Quando não se vê, o sofrimento é menor. As dúvidas, o medo, tudo é menor. A realidade nem sempre é o que se espera. Geralmente é cruel. Mas é o que temos. É o que precisamos. Dói, mas é real.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Descobri que não posso ter filhos
Não, não fiz nenhum exame. Descobri isso há alguns minutos. Meu primo de 14 anos está passando a semana na minha casa. Almoçamos e deixei-o na esquina de cima da minha casa. "Você acha que consegue abrir o portão, Luquinhas? Tranca a porta, direitinho, e me dá um toque quando entrar em casa, tudo bem?". E vim para o trabalho. E nada do toque. E nada do toque. E nada do toque. E começou a chuviscar. "E se ele não conseguiu abrir a porcaria do portão, que vive emperrando? E se ele está na chuva? E se alguém pegar ele?".
Começou a me dar palpitações. "Vou para o jornal ou volto para casa?". Suei frio. "Acho melhor ligar para ele". Caixa de mensagens. "Droga. Porcaria de celular, de que adianta eu colocar créditos se nem ligado ele está?". Decidi que era melhor ficar calma. Se até chegar ao jornal ele não tivesse ligado, pediria para alguém ir, de carro, comigo, até em casa. "Falta só meia quadra... ai, Luquinhas, cadê o toqueee?". Olhei no celular, vai que havia tocado e eu nem tinha visto. Nada. Coloquei no bolso, mais fácil de perceber. Nada. Quase na porta do jornal, com o coração na mão, resolvi olhar de novo. Uma chamada não atendida. Olhei, número do Lucas. Alívio. Muito alívio. Alívio mesmo. Ufa. Ele está bem. Meu bebê (?!) está bem. Isso que nem é meu bebê, mesmo... Imagine quando tiver um!
Começou a me dar palpitações. "Vou para o jornal ou volto para casa?". Suei frio. "Acho melhor ligar para ele". Caixa de mensagens. "Droga. Porcaria de celular, de que adianta eu colocar créditos se nem ligado ele está?". Decidi que era melhor ficar calma. Se até chegar ao jornal ele não tivesse ligado, pediria para alguém ir, de carro, comigo, até em casa. "Falta só meia quadra... ai, Luquinhas, cadê o toqueee?". Olhei no celular, vai que havia tocado e eu nem tinha visto. Nada. Coloquei no bolso, mais fácil de perceber. Nada. Quase na porta do jornal, com o coração na mão, resolvi olhar de novo. Uma chamada não atendida. Olhei, número do Lucas. Alívio. Muito alívio. Alívio mesmo. Ufa. Ele está bem. Meu bebê (?!) está bem. Isso que nem é meu bebê, mesmo... Imagine quando tiver um!
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Resoluções de ano novo
Todo ano é a mesma coisa, e sei que não é só para mim. A gente sempre olha para trás, vê o que errou e pensa: 'putz, não quero isso no ano que vem. No ano que vai nascer eu vou...'. Então, eu sempre penso, falo, mas nunca registro. Aqui, as minhas metas para 2011. Para quem quiser me ajudar a cumpri-las, quem quiser só cobrar e até mesmo para eu poder me reavaliar no próximo ano.
- Vou parar de mascar chicletes (eu preciso mesmo!!!).
- Vou emagrecer o que falta.
- Vou ser mais organizada. Especialmente com o meu tempo.
- Vou criar o hábito de acordar cedo. E arrumar a cama todos os dias.
- Vou aprender que um ponto final é final. E ponto final.
Para vocês, um feliz ano novo. Que 2011 possa vir contente, repleto de realizações e conquistas. E grana, e amor, e paz, e alegria, e... tudo de bom!!!
- Vou parar de mascar chicletes (eu preciso mesmo!!!).
- Vou emagrecer o que falta.
- Vou ser mais organizada. Especialmente com o meu tempo.
- Vou criar o hábito de acordar cedo. E arrumar a cama todos os dias.
- Vou aprender que um ponto final é final. E ponto final.
Para vocês, um feliz ano novo. Que 2011 possa vir contente, repleto de realizações e conquistas. E grana, e amor, e paz, e alegria, e... tudo de bom!!!
Isso pertence a...
a senhora dos micos,
gente grande,
mas heim?,
no meu mais profundo eu,
pira total
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Desjejum
Adoro seu cheiro pela manhã. Não só pela manhã, mas, quando o sol surge, ele é ainda melhor. Pela manhã o seu cheiro me lembra o abraço que tanto gosto. O carinho que esperei o dia, a semana toda. O sorriso que me faz, também, sorrir.
Até o sol da manhã fica mais bonito, mais vivo, quando sinto seu cheiro. O dia começa melhor, parece que vai ajeitando a vida. E a vida, essa eu vou levando. Com ou sem seu cheiro. Mas que eu adoro o seu cheiro pela manhã, ah, meu bem, eu adoro.
Até o sol da manhã fica mais bonito, mais vivo, quando sinto seu cheiro. O dia começa melhor, parece que vai ajeitando a vida. E a vida, essa eu vou levando. Com ou sem seu cheiro. Mas que eu adoro o seu cheiro pela manhã, ah, meu bem, eu adoro.
Isso pertence a...
ctrl c ctrl v,
essa tal de saudade,
gente grande,
mundo mundo vasto mundo,
no meu mais profundo eu,
vida bandida
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
A menina do livro
Sorria sempre. Para todos. Amava sorrir e adorava quando ganhava sorrisos de volta. Achava que a vida era muito mais fácil quando enfrentada com um sorriso. Mas não sabia que também gostavam quando sorria. Até que, um dia, ele lhe disse.
- Se eu fosse escrever um livro sobre você, o título seria A Menina do Sorriso de Ouro. Acho seu sorriso lindo.
É, tinha valido a pena sorrir por tanto tempo.
- Se eu fosse escrever um livro sobre você, o título seria A Menina do Sorriso de Ouro. Acho seu sorriso lindo.
É, tinha valido a pena sorrir por tanto tempo.
Isso pertence a...
ctrl c ctrl v,
feliz demais da conta,
foi mal aí,
gente grande,
hip hip hurra
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
I wish you a...
Sempre gostei de Natal. Não só porque é meu aniversário, mas principalmente pelo clima contagiante de festa, de renovação, de amizade. De paz. E no Natal sempre tem reunião de família. Seja no lado do pai, seja no lado da mãe. E sempre é uma delícia.
E este Natal, apesar de ser o segundo sem o senhor, é o primeiro que me reuni com nossa família, vozinho. E é inevitável sentir sua falta brigando com o barulho alto até tarde, contando os causos de sempre e abusando tudo o que podia e não podia na comida. Porque essas coisinhas que marcaram, seu Ney, ocupam um espaço pequeno em todo o montante da falta que você faz.
Incrível como cantarolei hoje, o dia todo, mentalmente, o seu Caiarolina, meu amor. Nunca mais tinha passado pela minha cabeça. Mas hoje, não. Hoje eu lembrei da Caiarolina, da Tatelhana, sua filha tão bacana, e do senhor bravo com a vó Inha no nosso último amigo secreto, quando ela confundiu o amigo dela com o do senhor. "Uai, 'fia', não entendi nadinha da confusão que sua avó fez. Eu tirei você, não a Márcia". Há exatos dois anos, vozinho, o senhor deu um baita susto na gente, que chegou de madrugada da casa do tio Wan e se deparou com o senhor tendo uma crise por causa da insulina e dando uma 'pane'. Eu te abracei, vozinho, e falava no seu ouvido para que não nos deixasse. Que, se me ouvisse, apertasse a minha mão, para a gente saber que o senhor estava ali. Sustão, seu Ney. Mas o senhor voltou quando os paramédicos chegaram e aplicaram alguma coisa que eu não sei o quê que te reanimou. Ia ser muito cruel o senhor fazer sua partida no aniversário da sua neta número um, né. E o senhor esperou. Não que tivesse amenizado a dor da sua partida, mas pelo menos nos deu, uma última vez, a chance de comemorar as festas de final de ano contigo. Até nisso o senhor pensava na gente, seu Ney. Até na hora de nos deixar. E de se fazer presente, sempre. Saudade, vozinho. Onde o senhor estiver, espero que receba um abraço apertado de feliz Natal. Amo você.
E este Natal, apesar de ser o segundo sem o senhor, é o primeiro que me reuni com nossa família, vozinho. E é inevitável sentir sua falta brigando com o barulho alto até tarde, contando os causos de sempre e abusando tudo o que podia e não podia na comida. Porque essas coisinhas que marcaram, seu Ney, ocupam um espaço pequeno em todo o montante da falta que você faz.
Incrível como cantarolei hoje, o dia todo, mentalmente, o seu Caiarolina, meu amor. Nunca mais tinha passado pela minha cabeça. Mas hoje, não. Hoje eu lembrei da Caiarolina, da Tatelhana, sua filha tão bacana, e do senhor bravo com a vó Inha no nosso último amigo secreto, quando ela confundiu o amigo dela com o do senhor. "Uai, 'fia', não entendi nadinha da confusão que sua avó fez. Eu tirei você, não a Márcia". Há exatos dois anos, vozinho, o senhor deu um baita susto na gente, que chegou de madrugada da casa do tio Wan e se deparou com o senhor tendo uma crise por causa da insulina e dando uma 'pane'. Eu te abracei, vozinho, e falava no seu ouvido para que não nos deixasse. Que, se me ouvisse, apertasse a minha mão, para a gente saber que o senhor estava ali. Sustão, seu Ney. Mas o senhor voltou quando os paramédicos chegaram e aplicaram alguma coisa que eu não sei o quê que te reanimou. Ia ser muito cruel o senhor fazer sua partida no aniversário da sua neta número um, né. E o senhor esperou. Não que tivesse amenizado a dor da sua partida, mas pelo menos nos deu, uma última vez, a chance de comemorar as festas de final de ano contigo. Até nisso o senhor pensava na gente, seu Ney. Até na hora de nos deixar. E de se fazer presente, sempre. Saudade, vozinho. Onde o senhor estiver, espero que receba um abraço apertado de feliz Natal. Amo você.
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