sexta-feira, 3 de junho de 2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Falsidade ideológica

Chego à esteira onde a bagagem deve ser retirada e aguardo. Pego a minha mala, a esteira continua a rodar. Um por um, meus companheiros de voo pegam seus pertences e se vão. E eu, ali, parada. Além da mala, aguardava um atabaque. Não, não era meu. Era uma encomenda. Que tinha sumido. A esteira continuava a rodar, mas nada mais estava nela. Ninguém mais ao meu lado.
- E agora, o que eu faço - pensei.
Olho para os lados. À minha direita se aproxima um atendente da empresa aérea.
- Falta alguma coisa, moça?
- Falta. Meu atabaque.
- Atabaque? - me pergunta, com uma expressão que não consegui definir se era susto ou dúvida.
- É, uma espécie de tambor...
- Eu sei o que é um atabaque! Mas você trouxe um?
- Trouxe.
- Tudo bem, vou verificar o que aconteceu. Você pode sentar ali e aguardar que logo a chamo.
Sentei. E esperei. E esperei. E esperei. Já estava bem cansada de esperar quando aquele som de alerta característico de aeroportos, para que as pessoas prestem atenção na mensagem, toca.
- Senhora Paula Fernandes, por favor dirija-se ao balcão de atendimento da empresa tal.
Levantei, peguei a mala e fui. Quando já estava perto o suficiente do balcão para ouvir o que os atendentes conversavam, avistei o rapaz que havia me atendido anteriormente.
- Viu, não é ela. Olha ali - disse ele.
- Onde? - perguntaram outras três atendentes que o acompanhavam.
- Ali, vindo em nossa direção - e apontava para mim.
- Onde? - procurando além de mim, como se eu não estivesse ali.
- Ali - e caminhou até mim, com o atabaque nas mãos - viram só, eu disse que não era ela.
- Aaaaaaaaaaaaaah... - exclararam, em uníssono de decepção, enquanto guardavam algo que pareciam bloquinhos de papel e canetas.
- Moça, tá aqui seu atabaque. Elas acharam que você era a cantora, sabe? Me dá um autógrafo? - e riu.
Ri também, de entender o porquê de tanta decepção. Imagine, uma Paula Fernandes que perde um atabaque... Vai que decidiu mudar o estilo?!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sobre o descanso merecido

Queria o contrário. Férias o ano inteiro e quinze dias de trabalho, para compensar aquele descanso todo...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

Reticente

Com você, tudo parece mais fácil. O mundo tem menos problemas, as piadas têm mais graça. As horas correm, mesmo que queiramos, na verdade, que o tempo pare. Com você, qualquer lugar é bom, qualquer céu é mais estrelado. As cores são mais vivas e a música, melhor. Com você, eu pareço não ter fim. O triste é que, com você, também não vejo futuro em mim.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ponto, sem vírgula

É difícil, mas a gente precisa entender quando não dá mais. Quando faz mal pra gente, quando a falta e a dor são maiores que o que a gente sente. É sério, eu gosto de você. Mas você não é pra mim.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Dadadadada



Eu amei o vídeo e precisava compartilhar isso!!!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Bolero ou valsinha?


Passo na academia, que é caminho do local da entrevista até o jornal, e paro para dar um 'alô' para o pessoal. Além do meu irmão, na esteira, e do personal atendendo, outras duas moças estão presentes.
- Blusinha nova, heim, Paula? - diz, meio em tom de brincadeira, o personal. Ele sabe que eu a comprei no dia anterior, quando cheguei empolgada contando para todos da nova aquisição.
- Pois é, você viu?
- Não é blusinha. Tem outro nome, isso. Qual é mesmo, Paula? - retruca meu irmão.
Uma das moças abaixa a cabeça e a balança de um lado para o outro, em tom de displicência.
- Bolero - respondo.
- Ai, homem não entende mesmo disso - comenta a moça que havia balançado a cabeça.
- É, para mim, até hoje de manhã era 'casaquinho cortado' - brinca meu irmão.
- E amanhã você vai perguntar para ele o nome, ele diz 'valsa'. Homem é tudo lerdo. Aliás, 'valsinha', porque é pequeno, né? - encerra a segunda moça.

*Meu bolero é lindo, fala sério!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Póstumo

Ela acordou com o sorriso no rosto, dando-lhe um beijo de bom dia. Era o seu dia e ela queria que ele se sentisse especial. Ao abrir os olhos, ele viu o sorriso e logo entendeu.
- Hoje não, amor. Hoje não.
Não, ele não gostava daquele dia. Para ele, o dia era de resguardo. Sigilo, prece, aquietação. Sua alma, presa, queria gritar. Queria que gritasse, que chorasse, para que, enfim, esquecesse. Mas ele preferia calar. Não gritava, não chorava e as memórias lhe martelavam a cabeça. Como esquecer de algo que o acompanhara por toda a vida?
Tudo aconteceu dois meses antes do seu nascimento. O pai, taxista, havia sumido. Ninguém sabia do seu paradeiro. A mãe esperou por longos dois meses. Ao pai e ao filho, que estava por vir. O filho chegou e, com ele, a alegria do nascimento de uma criança tão esperada. Mas o pai não estava ali para ver que era a sua cara. Para ajudá-lo nos primeiros passos, com sua primeira bicicleta e ensinar a conquistar a primeira namorada. Não, o pai havia sumido. Até aquele dia.
Enquanto o médico felicitava a mãe pela chegada do menino, um parente entra pela porta com ares de velório. Haviam encontrado o pai da criança. O corpo dele. Estava morto. Morreu porque alguém imaginou que sua vida valia menos que seu automóvel. Morreu, mas o carro não estava mais ali.
- Hoje não, amor. Hoje não. Você sabe, não gosto de comemorar meu aniversário. Amanhã, se você quiser, eu aceito os parabéns. Mas hoje não, por favor.