- Quantos anos a gente tinha quando se conheceu?
- Eu tinha 18, se não me engano, e você tinha 20.
- Hum... e com quantos anos você está, agora?
- 22.
- Nossa! Eu continuo mais velha?!
terça-feira, 15 de junho de 2010
Reencontro
Isso pertence a...
a senhora dos micos,
achismo,
ctrl c ctrl v,
mas heim?,
mico total,
pérolas,
pira total
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Os sons do silêncio
- Eu nem acredito que você me achou!
É, tampouco eu acredito. Passados três anos e você ali, como outrora.
O sorriso é o mesmo, mas você mudou tanto. Mais homem, menos criança. Mesmo assim, mais doce, mais carinhoso, mais atencioso. Lembra-se, diferente de mim, de mínimos detalhes. De coisas escondidas em um tempo que não volta.
Suas mãos ainda sabem como me alcançar e sua boca, como encontrar a minha. Seu abraço me deixa protegida e nele descanso, repouso. Até o infeliz momento em que você precisa ir. E me deixar sentindo o seu cheiro, que, para eu não lhe esquecer, ficou em seu lugar.
É, tampouco eu acredito. Passados três anos e você ali, como outrora.
O sorriso é o mesmo, mas você mudou tanto. Mais homem, menos criança. Mesmo assim, mais doce, mais carinhoso, mais atencioso. Lembra-se, diferente de mim, de mínimos detalhes. De coisas escondidas em um tempo que não volta.
Suas mãos ainda sabem como me alcançar e sua boca, como encontrar a minha. Seu abraço me deixa protegida e nele descanso, repouso. Até o infeliz momento em que você precisa ir. E me deixar sentindo o seu cheiro, que, para eu não lhe esquecer, ficou em seu lugar.
Isso pertence a...
gente grande,
mundo mundo vasto mundo,
no meu mais profundo eu
quarta-feira, 9 de junho de 2010
O sorriso de Maristela

Entramos no galpão onde o artesanato era vendido e logo a vi, à espreita. Cada passo nosso era vigiado pelos olhos atentos e, quando se percebia avistada, o pelo sorriso encabulado e a tentativa de esconder-se atrás da janela. Sorrateira, me dirigi em sua direção. O que me esperava do outro lado me encantou. "Qual o seu nome", perguntei, me preparando para indagar o que significava o verbete Ava-guarani. "Maristela."
Maristela, apenas Maristela. Talvez por estar na tribo, por conversar com uma indiazinha, me surpreendi porque seu nome era tão latino quanto o meu. Estrela do Mar, a pequena Maristela na aldeia que a cercava.
Agora, olhando melhor, não entendo meu espanto. Não apenas Maristela, mas toda a tribo perdia o jeito indígena. Ao invés de pinturas, penas e cocar, Maristela usava um conjunto de saia e blusinha azuis. Nos pés, que em outros tempos estariam descalços, um chinelo de dedo. Azul, também. O cabelo, parcialmente preso por uma presilha amarela. E uma tatuagem de chiclete em sua testa a deixavam tão longe de ser índia quanto qualquer um dos meus primos de sua idade.
Maristela não era a única, ali, que parecia fora do seu lugar. Nenhum índio da aldeia parecia como os que povoam nossa imaginação. O espanto se tornou ainda maior quando duas mulheres que acompanham a tribo nos contaram que tiveram que ensiná-los a fazer o artesanato que era da sua própria cultura. Foram reeducados culturalmente.
Tudo para manter vivo nosso imaginário. Parafraseando um amigo, por que não manter intacta a cultura deles nos livros? Assim como a dos gregos, dos maias ou outros povos? Por que não deixar que, como nós, evoluam? Melhor, por que fingir que ainda são os mesmos índios, donos primeiros das terras brasileiras? Por que querer acreditar que o meio, o tempo, o convívio conosco ou a sua própria curiosidade não os tornaram diferentes?
Estudar a língua? Sim, mas registrá-la, para que não morra. Assim como seus costumes, sua vida, o que ainda é possível preservar. E deixá-los seguir em frente. Como qualquer outro povo.
E pensar que, mesmo fora de contexto, mesmo não condizendo com o que imaginava, mesmo que não responda às minhas, às suas ou a outras expectativas, o sorriso de Maristela cativava a quem olhasse. E, como um objeto a ser imortalizado, ficou registrado pelas lentes e pela memória de quem estava ali, naquele dia.
sábado, 5 de junho de 2010
O fim - real - de uma fase
Depois de anos, o reencontro. Virtual, mas haviam se conhecido assim.
O amigo, outrora colorido, estava mais uma vez presente na sua vida - virtual. Combinam de encontrarem-se assim que possível, já que moram em cidades distantes. Ele, pensando em, talvez, lembrar dos velhos tempos, esquece-se da inocência de crianças. Sem pudores, mesmo porque o mundo virtual lhe permite intimidades que jamais a boa educação do 'pessoalmente' deixaria passar, pergunta:
- Preciso saber de uma coisa. Sexo?
- Feminino, nunca percebeu?
O amigo, outrora colorido, estava mais uma vez presente na sua vida - virtual. Combinam de encontrarem-se assim que possível, já que moram em cidades distantes. Ele, pensando em, talvez, lembrar dos velhos tempos, esquece-se da inocência de crianças. Sem pudores, mesmo porque o mundo virtual lhe permite intimidades que jamais a boa educação do 'pessoalmente' deixaria passar, pergunta:
- Preciso saber de uma coisa. Sexo?
- Feminino, nunca percebeu?
terça-feira, 1 de junho de 2010
Você...
Descartem a animaçãozinha brega... :P
Isso pertence a...
ctrl c ctrl v,
felicidade foi-se embora,
gente grande,
mundo mundo vasto mundo,
vida bandida
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Ôôô nomezinho difícil...
Quando nasceu, a sentença: Paula de Assis Fernandes. Assim, olhando de relance, parece um nome comum, fácil, até. Nada de firula, nada muito difícil. É o que pensam.
Até que a menina cresceu. Um pouco abalada, talvez, porque, enquanto seu nome significava coisas como pequeno, humilde, de baixa estatura e cidade pequena, o de seus irmãos imperavam sobre si: presente de Deus e deusa da ilusão. Entretanto, a vida passou e a menina aprendeu a amar o seu nome. Mesmo que ele fosse difícil de ser lembrado.
Seu treinador de futsal sempre gritava: "Carla, volta pra defesa", enquanto a professora de matemática a chamava de Maya, incessantemente, mesmo que esse fosse o nome da irmã.
Outras pessoas lhe impunham o Bruna, que diziam ser sua cara. E, para seu descontentamento, o Ana.
- Oi, como é seu nome?
- Paula.
- Então, Ana Paula...
- Não, não. É Paula. Sem o Ana.
Quando, por fim, a menina virou mulher e o Paula passou a ser Paula Fernandes (não, não a cantora), quase sempre se esquecem de acrescentar-lhe o Ana. Agora ela não é mais a Ana Paula. É a Paula Fernanda.
Até que a menina cresceu. Um pouco abalada, talvez, porque, enquanto seu nome significava coisas como pequeno, humilde, de baixa estatura e cidade pequena, o de seus irmãos imperavam sobre si: presente de Deus e deusa da ilusão. Entretanto, a vida passou e a menina aprendeu a amar o seu nome. Mesmo que ele fosse difícil de ser lembrado.
Seu treinador de futsal sempre gritava: "Carla, volta pra defesa", enquanto a professora de matemática a chamava de Maya, incessantemente, mesmo que esse fosse o nome da irmã.
Outras pessoas lhe impunham o Bruna, que diziam ser sua cara. E, para seu descontentamento, o Ana.
- Oi, como é seu nome?
- Paula.
- Então, Ana Paula...
- Não, não. É Paula. Sem o Ana.
Quando, por fim, a menina virou mulher e o Paula passou a ser Paula Fernandes (não, não a cantora), quase sempre se esquecem de acrescentar-lhe o Ana. Agora ela não é mais a Ana Paula. É a Paula Fernanda.
Isso pertence a...
das minhas raízes,
gente grande,
mas heim?,
mundo mundo vasto mundo,
pérolas,
pira total,
vida bandida
terça-feira, 25 de maio de 2010
Descomplica
Mulher é bicho complicado, qualquer homem concorda. Mas eu sou a mais complicada de todas. A mais indecisa. A mais instável. Digo isso porque, sim, eu sei que quero, mas não quero só isso. Ou melhor, já acho que não quero. Ah, sei lá, vocês entenderam.
O melhor mesmo é curtir um Móveis Coloniais de Acaju pra descontrair. E descomplicar.
Descomplica
Móveis Coloniais de Acaju
Tira o céu da nuvem, vejo algodão
Um vão sem ter buraco, vira chão
Deixa de ser
Muro sem cimento, sobra sedimento
Mesmo sem palavra, mudo fala
Deixa de ser
Cá pra nós, não é preciso complicar para dizer
Seja lá onde for
Deixa o sol te levar
Tira o lar do lugar vem pra cá
Sem ter luz ou luar
Siga o brilho que for
Te guiar só pra cá, meu amor
Simples movimento tiro o ar do vento
Evento sem retrato, esquecimento
Deixa de ser
Pões lembrança na saudade, vira idade
Cinto sem maldade, castidade
Deixa de ser
Isso pertence a...
gente grande,
mas heim?,
mundo mundo vasto mundo,
vida bandida
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Parafraseando Paulo Setúbal
De todos que me beijaram*
De todos que me beijaram
de todos que me abraçaram,
já não me lembro, nem sei!
São tantos os que me amaram,
são tantos os que amei!
Mas tu (que rude contraste),
tu - que jamais me beijastes,
tu - que jamais abracei,
só tu nesta alma ficastes
de todos os que amei!
...
Poeminha lindo que conheço há tempos. E que, no momento, me lembra muito de alguém... Original aqui.
De todos que me beijaram
de todos que me abraçaram,
já não me lembro, nem sei!
São tantos os que me amaram,
são tantos os que amei!
Mas tu (que rude contraste),
tu - que jamais me beijastes,
tu - que jamais abracei,
só tu nesta alma ficastes
de todos os que amei!
...
Poeminha lindo que conheço há tempos. E que, no momento, me lembra muito de alguém... Original aqui.
Isso pertence a...
ctrl c ctrl v,
essa tal de saudade,
no meu mais profundo eu,
vida bandida
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Tem coisas... que só a dona Maria faz por você!
O celular toca.
- Oi, dona Maria, tudo bem?
Pausa para explicação. Dona Maria é minha avó, Zelinda, que não sei por que cargas d'água ganhou o apelido que carregou a vida toda, sendo chamada assim por filhos e netos.
- Oooo fia! Brigadão, viu? Amei o presente!
- Ah, a senhora gostou, dona Maria? Que bom! Chegou com cartão?
- Chegou sim. Tá escrito 'Que seu dia possa ser melhor com cheirinho de café fresco'. Adorei. Mas me explica uma coisa... o que que é esse trem aqui da Folha de S. Paulo que você mandou junto?
- Oxi. Que trem, vó?
- Um jornal aqui que você botou dentro da caixa.
- Não, vozinha, eu não mandei, não. Comprei no submarino, na internet. Eles mandaram direto para a sua casa.
- Aaaah (surpresa!)...
Nisso ela comenta com alguém que está perto. Um dos meus priminhos, imagino.
- Uai, fio, sabia que esse trem veio direto da internet aqui pra casa?
Não aguento. Não consigo conter os risos.
- Minina! Do que você tá rindo? É da sua avó, é? Que falta de respeito! Uai! Veio da internet, não veio?
- Oi, dona Maria, tudo bem?
Pausa para explicação. Dona Maria é minha avó, Zelinda, que não sei por que cargas d'água ganhou o apelido que carregou a vida toda, sendo chamada assim por filhos e netos.
- Oooo fia! Brigadão, viu? Amei o presente!
- Ah, a senhora gostou, dona Maria? Que bom! Chegou com cartão?
- Chegou sim. Tá escrito 'Que seu dia possa ser melhor com cheirinho de café fresco'. Adorei. Mas me explica uma coisa... o que que é esse trem aqui da Folha de S. Paulo que você mandou junto?
- Oxi. Que trem, vó?
- Um jornal aqui que você botou dentro da caixa.
- Não, vozinha, eu não mandei, não. Comprei no submarino, na internet. Eles mandaram direto para a sua casa.
- Aaaah (surpresa!)...
Nisso ela comenta com alguém que está perto. Um dos meus priminhos, imagino.
- Uai, fio, sabia que esse trem veio direto da internet aqui pra casa?
Não aguento. Não consigo conter os risos.
- Minina! Do que você tá rindo? É da sua avó, é? Que falta de respeito! Uai! Veio da internet, não veio?
Isso pertence a...
admirável mundo novo,
coisas da modernidade,
essa tal de saudade,
familia amada,
mas heim?,
o advento da tecnologia,
pérolas
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Violação de correspondência
Olá, meu querido,
depois de tanto chorar, de tanto brigarmos e de até tentarmos nos entender percebi, hoje, que você respeita os seus sentimentos, apenas. Ou por que outro motivo insistiria tanto para que eu fosse visitá-lo? Já pedi para que parasse de me dizer as coisas bonitas que dizes, já que o que me mostra é o contrário.
Por que, então, não entender os meus motivos? Só os seus são satisfatórios? Quer que chegue aí e me sinta uma tonta tentando fazer parte de alguma coisa?
Não, meu querido, isso não.
Espero, sinceramente, que você seja feliz. Muito. Mas nem por isso eu faço questão de saber dos detalhes sórdidos.
Por fim, pretendo não mais te ligar. Estou cansada de sempre ser eu a ir atrás quando, por vezes, brigamos. Parece que depois que nos afastamos você se mostra uma pessoa que jamais eu havia conhecido, antes. Como já disse, seja feliz. Agora eu vou buscar a minha outra metade aqui.
Com carinho,
Paulinha
depois de tanto chorar, de tanto brigarmos e de até tentarmos nos entender percebi, hoje, que você respeita os seus sentimentos, apenas. Ou por que outro motivo insistiria tanto para que eu fosse visitá-lo? Já pedi para que parasse de me dizer as coisas bonitas que dizes, já que o que me mostra é o contrário.
Por que, então, não entender os meus motivos? Só os seus são satisfatórios? Quer que chegue aí e me sinta uma tonta tentando fazer parte de alguma coisa?
Não, meu querido, isso não.
Espero, sinceramente, que você seja feliz. Muito. Mas nem por isso eu faço questão de saber dos detalhes sórdidos.
Por fim, pretendo não mais te ligar. Estou cansada de sempre ser eu a ir atrás quando, por vezes, brigamos. Parece que depois que nos afastamos você se mostra uma pessoa que jamais eu havia conhecido, antes. Como já disse, seja feliz. Agora eu vou buscar a minha outra metade aqui.
Com carinho,
Paulinha
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