quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Ciumeira

Ciúme: s. m. 1. Receio ou despeito de certos afetos alheios não serem exclusivamente para nós.

Desde que me entendo por gente fujo dessa paranoia. "Ciúmes, eu, imagina!" Até que, com a sabedoria que chega com a idade (falou a profeta!), comecei a admitir. "Não, eu só tenho ciúmes da minha mãe e da minha irmã". Mais tarde, mais confissões: "Tá certo, também morro de ciúmes do meu pai e dos meus irmãos. Mas só deles, da minha mãe e minha irmã. Ninguém mais."
Aí, certo dia, me deparo sentindo uma pontinha de alguma coisa não identificada dentro de mim quando uma amiga me diz, quando a convido para algo, que não pode porque já havia marcado um compromisso com outra amiga. Tiro certo: ciúmes!
E, sim, hoje eu sei que sinto, também, ciúmes dos meus namorados, ficantes e, inclusive, paqueras. E também admito, com pesar, que o ciúmes é, muitas vezes, infinitamente maior que eu. Mas eu me controlo, sempre que possível. Mantenho a pose e sigo em frente.
Entretanto, entenda. Você é minha parceira de tudo. São 6 anos juntas e a maior parte do que consegui, depois da faculdade, devo a você. É claro que não é a única das minhas amigas de quem tenho ciúmes, mas, mais claro ainda é que, aqui, é a pessoa que eu sei que posso contar. Minha família, meu porto seguro. Meu amparo.
E, de todas as minhas amigas, é a única que já visitou a minha família nômade. É a única que tem coragem - ou seja lá que nome tenha isso - de enfrentar desventuras comigo - como a que vamos iniciar na próxima semana.
Quando sei que não vai ser só a gente, como da última vez, que vou ter que dividir você, a minha amiga, com alguém que eu nem conheço direito e que, mesmo assim, tenho as minhas diferenças (enormes, por sinal!) e, ainda por cima, se sente tão amiga do nosso amigo quanto nós mesmas... sinto muito, mas é inevitável. E, bingo!, ciúmes, de novo.
Prometo, querida, que vou tentar me controlar. Prometo que vou fazer o possível. Mas entenda: eu não sou de ferro e a ideia de você 'vazar' caso eu tenha um ataque de bobeira me dá desespero. Não faz isso não, trem!

Obs. Faltam 6 dias!!!
Obs2. É muito, mas muuuuuuuuito mesmo, difícil admitir isso!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Ossos do ofício

Segunda-feira, depois do fechamento, eu e Larissa, minha amiga de muitas jornadas, acompanhamos uma ação do Centro de Referência em Assistência Social (Creas) em uma campanha que estão iniciando, contra a exploração sexual e a situação de rua.
Vamos a um posto desses que lotam de garotas - e garotos - de programa, na expectativa de entrevistar alguém que já está há tempos no ramo. Conversamos com duas mulheres, uma de 46 e outra de 50. Ao final da conversa, paramos ao lado de Tião, agente do Creas. Conversávamos quando, de repente, um carro para na esquina. Olhamos, assustadas. Dentro do carro, um homem chama por nós. Nos entreolhamos e pedimos que Tião vá falar com ele. De acordo com ele, o diálogo foi mais ou menos assim:
- Você conhece as duas?
- Não, elas não são como as outras mulheres daqui?
- Não, rapaz. Elas só estão trabalhando!
...
Bom que o Tião ajuda!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Dona Flor pós moderna

Não sou casada, sequer tenho namorado. Mas tenho uma capacidade enorme de me apaixonar, diariamente. É assim desde que me entendo por gente. Talvez pela necessidade extrema de atenção que tenho, talvez pela carência incessante que me persegue.
Eu viveria, talvez não tão tranquilamente, mas feliz, se pudesse ter a sorte de Dona Flor. Mas queria um número maior, dois não me parece suficiente. Mesmo porque, como já disse, me apaixono várias vezes todos os dias. Às vezes, o dia todo. E, não raro, me desapaixono, também.
Acho as pessoas tão incríveis, tão fascinantes. Cada qual é apaixonante, ao seu modo. Principalmente quando não se sabe direito, não se conhece a fundo. Porque as pessoas podem ser horríveis, também. Frustrantes. Entediantes. E assim, me desencanto.
Gosto quando, por vezes, as paixões duram. E me faz falta tornarem-se amor. Porque, quando estão a caminho, no rumo certo... se tornam horríveis, frustrantes, entediantes, para a minha (in)felicidade. Aí resolvo me apaixonar de novo. E de novo. E de novo.
E assim sigo. Feliz. Ou não. Mas sigo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Imparcial


A gente aprende, na faculdade, a sempre buscar a isenção quando vamos atrás da notícia. Alguns sonhadores ainda acreditam na imparcialidade.
Hoje fui cobrir a confraternização de Natal das crianças que sofreram algum tipo de violência. Tinha até uma menininha de, no máximo, 2 anos.
Como ser imparcial numa hora dessas?

sábado, 28 de novembro de 2009

Eu queria...

Poder te abraçar.
Te beijar, de bobeira.
Exibir você.
Desfilar de mãos dadas.
Ter você. Pra mim.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Conversa de bar

Duas amigas, um bar. Saudades de muitos anos. Fofocas infindáveis.
- Menina! Deixa eu contar! ‘Tô’ pegando um cara lindo. Daí esses dias ele foi me levar em casa na hora do almoço, as coisas foram esquentando, mão naquilo, aquilo na mão... Foi! No carro mesmo! Só que eu tava ‘naqueles’ dias. Geeeeeeeente! A camisa dele manchou, a cueca dele foi praticamente lavada! Você não tem ideia. Fiquei morreeeeendo de vergonha, não sabia o que fazer!
- Sério?! E aí?
- E aí que ele tinha que ir trabalhar, né. A gente deu um jeito na camisa, que manchou um pouquinho e deu pra enganar. Mas a cueca não tinha jeito. Teve que deixar lá em casa. Coloquei na máquina, no varal, mas não deu pra ele usar à tarde. No finalzinho do dia, recebo uma ligação. “Oi, posso passar aí? ‘Tá’ tudo assado, preciso urgente da minha cueca”. Nem preciso dizer que tive colapsos de risos, né?!
- Ah, querida! Isso que você não sabe o que aconteceu comigo!
- Não pode ter sido pior!
- Foi sim! Deixa eu contar. Também já tive dessas, de resolver não ligar que estou 'naqueles' dias e deixar rolar mesmo assim. Traumatizante! Imagine, ele mora com a mãe, que é suuuuuuper tradicionalista e acha que o filhinho dela não faz essas coisas. E ele me chega em casa com a cueca manchada!
- E aí?!
- Aí que, no desespero, pra ela não ver nada, ele lavou a cueca no box.
- Tá, mas no que é pior que a minha história?!
- O pior é que, como ela não podia ver, ele colocou a cueca dentro de um tênis! Não duvido nada que esteja lá até hoje!!!
...
Frequentar alguns lugares sozinho tem suas vantagens. A gente ouve de tudo!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Premonição

Terça-feira, 10 de novembro
Depois de assistir sobre o apagão que assustou o Brasil nessa semana, no Jornal da Globo, resolvo ir dormir. Entro no meu quarto e, sem querer, acordo minha colega, que já dormia há tempos.
- Cíntia, deu algum problema na distribuição de energia da Itaipu, o Brasil quase inteiro está sem luz!
- Sério?!
Virou para o lado e dormiu.


Quarta-feira, 11 de novembro
A Cíntia chega do estágio mais cedo, a tempo de assistir aos noticiários do meio dia. O apagão é o pop do momento e, depois de ligar a TV, ela vai para o quarto pegar alguma coisa. Eis que ouve, na TV, algo sobre o apagão que desligou parte do Brasil. Corre para a sala.
Atônita, olha incrédula para a TV.
Quando acordou, pela manhã, Cíntia não se lembrava que eu a havia acordado, na noite anterior, e contado sobre o caos que tinha acontecido. Ao ouvir sobre o apagão, alguma coisa na memória dela disse: 'opa!, já ouvi algo a respeito'. Mas ela não se lembrava.
Assim, Cíntia assistiu, todo o jornal com uma certeza nítida:
-Gente, eu tive uma premonição!
Mais tarde, quando chego do trabalho, ela vem me perguntar se eu tinha dito alguma coisa sobre o assunto na noite anterior. Quando respondo que sim, ela faz uma expressão inconformada, triste mesmo.
-E eu achando que tinha poderes divinos...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Caixinha de surpresas

- Você é mesmo uma caixinha de surpresas.
- E isso é bom ou ruim?
- Por enquanto tem sido só supresas boas.

Ledo engano. No mesmo dia, instantes depois deste diálogo, a constatação do quanto alguém pode ser, no mínimo, idiota. Do quanto uma pessoa, pelo simples e puro fato de querer mais do que pode, consegue quebrar a magia do momento. Consegue transformar o mais lindo dos sorrisos em 'gelo no estômago'.
Mas não é assim que era para ser. Era para causar um pouco de ciúmes, sei lá. Era para se sentir tão importante quanto o outro é. Era para poder dizer que tem pelo menos um pouquinho daquilo que sabe que não lhe pertence. Mas que queria, como queria.
Nem toda surpresa é boa. Ainda mais se depende de humanos, falhos quase sempre. Entretanto, é preciso aprender a transformar a angústia em aprendizado. E saber fazer permanecer o sorriso. Aquele que se gosta tanto, que conforta, que alivia.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Anos modernos

Antes, a ânsia era pela chegada das longas, românticas e super demoradas cartas. Estas foram substituídas pelas ligações, mais presentes, mais atuais, mais reais e muito mais caras. Agora, nesse instante, fico olhando para a barra de ferramentas no monitor, torcendo para uma janelinha laranja abrir com um simples oi. Evoluímos?!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Confissões

- É tão difícil deixar você...
E pronto. Ganhei meu dia.